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sábado, 18 de agosto de 2018

THE END OF BARRY GRANGER IS COMING

He was a young man who suddenly found himself with powers, given to him thanks to a secret project from the goverment, and then his world fell in the darkness. Now the world is at stake and Barry Granger is the only one who can guarantee the future of the world, but at what cost?

Witness the end of a war, the end of a love story, the end of the story of Barry Granger. The Battle for the Future: Perfectus III coming soon on ebook and hardcover.

PRÓXIMOS PROJETOS

Pessoal, tudo certo? Hoje venho comentar aqui no blog sobre as novidades em relação aos meus próximos projetos. Antes de começar, Os Filhos do Anjo Caído irá demorar um pouco para ser lançado no site da Amazon, mas assim que for vocês ficarão sabendo. Enfim, vamos aos novos projetos :).

O final de A Batalha pelo Futuro: Perfectus III mostrou que mesmo que a história de Barry Granger tenha se encerrado, seu legado ainda continuará a viver, e Os Filhos do Anjo Caído mostraram a existência do multiverso. Os três projetos que irei desenvolver irão continuar esses dois pontos, além de um quarto projeto que não tem nenhuma relação com o Multiverso Perfectus.

  • Captain Battle - este livro não terá relação nenhuma com o Multiverso Perfectus, será um projeto experimental, e só será lançado apenas em língua inglesa. O personagem Capitão Batalha é um dos vários heróis esquecidos da Era de Ouro, criado por Jack Binder e Carl Formes, e que está em domínio público. O livro será uma reimaginação moderna do personagem, contando sua origem e sua transformação em super-herói.
  • Monstro Interno - este livro se passará após os eventos de A Batalha pelo Futuro, tendo como protagonista Wally Connery, filho de Nicholas Connery, personagem importante em Perfectus e Caindo na Escuridão. Wally é um jovem tão inteligente quanto seu pai e que está usando o legado que herdou de seu pai para tentar recriar o Projeto Perfectus na esperança de trazer ao mundo um novo super-herói, mas a sua busca pela criação de um novo super-humano o levará à ruína.
  • Deixe-me te Amar - este livro se passará após os eventos de Monstro Interno. Angeline Swann é uma jovem universitária arrogante que, para poder pagar a faculdade, passa a trabalhar para o milionário Dominic Richards, que sofreu um acidente durante a Crise Super-Humana que o deixou com uma doença degenerativa. Dessa relação surgirá uma história de amor.
  • Dimensão Perdida - este livro continuará a história de Klaus Stahl, personagem que esteve presente em Os Filhos do Anjo Caído. Estando agora em uma outra Terra, Klaus quer tentar novamente acessar a Chama da Vida para mudar o passado e ressuscitar sua noiva, Catherine. Não se importando em sacrificar quem estiver em seu caminho e nem em sacrificar todo o multiverso para salvar sua amada, somente um homem pode deter Klaus: Barry Granger.

Bem pessoal, esses são os meus próximos projetos, por enquanto. Não deixem de acompanhar o blog para acompanhar as novidades referentes a esses projetos, e se você que é visitante ainda não conferiu os meus livros no site da Amazon vá para o site e confira a Trilogia Perfecuts (https://www.amazon.com.br/s?k=giovanni+alckmim+russo&i=stripbooks&dc&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&qid=1534562629&ref=sr_nr_i_1). Até a próxima :)

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Epílogo


2028

Uma praia. Ele está caminhando com ela, de mãos dadas. O Sol está iluminando o rosto dela. Tudo está indo bem, até que ela começa a sangrar pelos olhos, narinas e boca. Ele grita por socorro, tenta assegurar ela de que tudo ficará bem, mas ela cai morta em seus braços. Catherine está morta. Ele abre os olhos. Primeiro tudo está claro. Sua visão logo se normaliza até que ele vê um médico ao lado dele, tentando acalmá-lo:
- Não precisa se debater, está tudo bem.
- Quem é você?
- Doutor Sanders.
- Onde eu estou?
- Hospital Geral de Nova York.
- Como eu vim parar aqui?
- Você foi encontrado caído no Central Park. Está com concussão, mas fora isso está bem. Como se chama?
- Klaus. Meu nome é Klaus.
- É parente de Klaus Stahl?
- Quem?
- Klaus Stahl. Você se parece muito com ele, parece que é o irmão gêmeo dele.
- Meu nome é Klaus Stahl.
- Que coincidência. Dois homens chamados Klaus Stahl.
- Eu sou Klaus Stahl. Não existe... Espera... Espera um pouco.
A mente de Klaus começa a clarear e ele percebe que pode estar em lugar diferente do que ele conhece:
- Em que Terra estou?
- Terra? A única Terra que existe.
- Claro que você não vai saber. Eu preciso sair daqui.
- O senhor precisa ficar de repouso.
- Eu disse que preciso sair daqui!
Klaus tenta sair da cama, mas o Dr. Sanders chama os enfermeiros e eles injetam um calmante nele, colocando-o de volta na cama. Ele sai do quarto onde Klaus está e vai falar com a pessoa que o encontrou e o trouxe para cá:
- Como vai Sr. Granger?
- Muito bem, obrigado. Como está o paciente?
- Ele disse ser Klaus Stahl
- Klaus Stahl? Então além de ele ser fisicamente idêntico a ele esse cara tem o mesmo nome dele.
- Parece que sim. Como o encontrou mesmo?
- Bem, eu estava voando por Nova York, um clarão se abriu e aí eu vi ele caído no Central Park.
- Ele perguntou em que Terra estávamos.
- Em que Terra?
Barry caminha até a janela do quarto e observa Klaus:
- Acho que tenho um mistério para resolver, Dr. Sanders.

FIM.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 18: Nunca é tarde demais

Na Terra 4 as fendas estão abertas e assim como na Terra 5 os raios estão gritando e os ventos estão rugindo. Por Christian estar se concentrando na Terra 4, o epicentro da abertura das fendas na realidade começou ali, com ela se espalhando para a Terra 3 e 5 e agora começando a chegar nas Terra 2 e 6. Mas além dessas fendas nas Terras, elas também estão aparecendo no Céu e no Inferno, quebrando a barreira que separa o mundo espiritual do mundo físico. Como a Terra 4 está sendo o epicentro da anomalia, demônios se dirigem para lá, assim como as almas nativas dessa Terra que foram enviadas para o Inferno após suas mortes.
No Vaticano, Kyle está tentando tirar a espada de sua perna, mas tem dificuldades já que só tem uma mão para tirar, e toda vez que tenta mover a espada a dor aumenta ainda mais. Ele ouve alguém gritando por ele, uma voz carregada de ódio. Ele continua tentando mover a espada, até que se paralisa de medo diante da figura macabra que aparece diante dele: a alma amaldiçoada de seu pai:
- Kyle!
- Você está morto... Você está morto!
- Eu voltei do Inferno e agora eu vou matar você como matei aquela vadia da sua mãe.
- Eu vou matar você de novo! – diz ele tentando desesperadamente arrancar a espada.
- Eu já morri, filho.
- Fique longe dele! – grita uma outra voz.
- Eu fui torturado naquele lugar maldito todos os dias! – grita o pai de Kyle – Eu esperei 20 anos por isso!
O pai dele arranca a espada da perna de Kyle e a ergue:
- Eu vou matar você!
Antes que a espada possa tocar a cabeça de Kyle, uma outra espada impede. Kyle olha para quem está segurando a outra espada e vê que é Jason quem está segurando a espada:
- Você cometeu um crime gravíssimo. – diz Jason para o pai de Kyle – Você podia ter aproveitado esta oportunidade para pedir perdão ao seu filho. Mas ao invés disso você veio tentar matar seu próprio filho de novo.
- Ele é um demônio! E fui eu que fui para o Inferno.
- Você matou sua esposa e tentou matar seu próprio filho. Você é o demônio.
O pai de Kyle tenta atacar Jason, mas ele bloqueia o ataque e dá um ataque certeiro no meio dele. A alma dele não sangra, apenas se esvanece:
- O que aconteceu com ele? – pergunta Kyle.
- A alma dele deixou de existir. – responde Jason – É uma pena que tudo tenha chegado a isto.
- Como você está vivo? Eu vi você morrer.
- Sim, eu estava morto. Não foi a pior morte que tive.
- A pior? Como assim, você já morreu antes?
- Sim, há muitos anos, e basicamente em todas as Terras no multiverso.
Jason repousa a espada no chão e retira as luvas de sua mão e dá a mão direita para Kyle:
- Deixe-me ajudá-lo a levantar.
Kyle olha para a mão de Jason e vê um buraco pequeno na palma da mão dele:
- O que fizeram com sua mão?
- Pregaram ela, há muito tempo.
Jason ajuda Kyle se levantar. Assim que o jovem fica de pé, ele toca na ferida na perna, curando-a instantaneamente, e toca no braço decepado, fazendo-o se regenerar:
- Ainda bem que Christian não acertou a espada em seu coração. Essas espadas foram feitas para causar ferimentos que anulam o poder de regeneração que vocês têm.
Kyle olha para seu braço regenerado e olha para as mãos de Jason, percebendo quem ele realmente é:
- Meu Deus!
- É o meu Pai, na verdade.
- Você é Jesus.
- Sim. Há tempos que não me envolvia em assuntos de forma mais direita, mas tudo o que aconteceu me obrigou a tomar essa medida.
- Você poderia ter salvado a minha mãe.
- O que aconteceu com sua mãe foi algo terrível, mas eu não posso impedir todos os males dos mundos, não posso interferir na vida das pessoas. Mas tive que quebrar essa regra para tentar ajudar você.
- Por quê?
- Porque o caminho que você trilhou até aqui irá levar ao fim de tudo. Eu sabia que você estaria na Cidade Draconiana, por isso te contei sobre a Chama de Deus e por isso te falei o que Christian fez. Achei que isso o motivaria a tentar seguir um caminho melhor, mas você escolheu dar a Christian a chave para destruição.
- Eu só queria consertar a minha vida.
- Todos querem. Todos querem consertar um erro que fizeram em suas vidas, uma injustiça que sofreram. Mas uma coisa que sempre vejo desde o início dos tempos, é que todos aqueles que carregam culpa, mágoa, remorso, querem mudar tudo ao redor deles, tudo exceto mudar eles mesmos. Quase todos que cometeram erros, sejam eles quais forem, se recusam a aceitar a consequência de seus erros. Você errou em quase ter matado o marido de Celiny, errou em tê-la agredido e errou em ajudar Christian. Você errou, Kyle, mas você tem agora a escolha para consertar as coisas. – Jesus se abaixa e pega as espadas, dando uma para Kyle – Você tem que deter Christian.
- Não posso fazer isso sozinho.
- Pode sim.
- E o que você vai fazer?
- Por Christian estar manipulando a Chama de Deus, as barreiras que separam o mundo físico do mundo espiritual foram quebradas. Felizmente isso não está acontecendo, ainda, nas outras Terras, mas aqui agora está acontecendo uma invasão de demônios e de almas condenadas. Por isso que seu pai veio lhe fazer uma visita. Eu tenho que ir agora.
Jesus caminha pelo corredor, com seu terno azul se desfazendo e dando lugar à uma armadura brilhante e reluzente, com asas plumadas e quase tão claras como o Sol em suas costas. Segurando a espada em sua mão direita, ele se agacha e salta, alçando voo. Por todo o mundo da Terra 4, um duelo entre anjos e demônios está ocorrendo, luzes brancas e negras se chocam no céu e na terra, enquanto as fendas continuam surgindo.
De dentro de seu quarto, Celiny assiste pela janela o que está acontecendo, com Declan ao seu lado:
- O que é isso? – pergunta ele, agora com curativos no rosto.
- Eu não sei. – responde ela, tocando a mão direita dele com sua mão esquerda e apertando-a firme.
No Vaticano, Kyle atravessa o portal e ruma para onde Christina está. O fluxo para o portal começa a se desestabilizar, enquanto que na Terra 4 tremores se espalham pelo planeta. A Chama de Deus começa a perder seu brilho e Christian tem visões do passado, a visão da morte de sua família pelas suas mãos:

- Eu vou salvar vocês.

 Em Roma, Jesus e um esquadrão de anjos estão enfrentando um grupo de demônios. Um dos demônios tenta atacar um dos anjos que está acompanhando Jesus, mas é destruído por um indivíduo de asas plumadas e negras com brilho metálico que pousa em cima dele:
- Achei que você não viria.
O ser de asas negras, que estava de costas para Jesus, se vira olhando para ele, revelando ser Lúcifer:
- Fiquei séculos impedido de vir para esta Terra e qualquer outra.
- Acho que tem algo a ver com você ter manipulado Adão e Eva em todas as Terras e você ter vindo para esta Terra se relacionar com uma humana.
- Atrás de você.
Jesus se vira para trás e golpeia um demônio com sua espada. Mais demônios vem na direção deles e Lúcifer fica em posição de ataque com sua espada, uma espada negra:

- Lúcifer, de costas! – grita Jesus.
Os dois ficam de costas um para o outro e enfrentam os demônios que vem na direção deles. Um outro grupo de demônios vem na direção deles, voando, e eles voam na direção deles, girando em 360 graus, e golpeando todos eles:

- Eu vou para a Chama de Deus e matar o meu neto.
- Deixe Kyle cuidar disso.
Os tremores se intensificam e os céu se torna vermelho:
- Os céus estão chorando. Temos que ir atrás do meu neto agora.
- Isso é missão do Kyle.
- E por causa dele Christian está lá.
- Exato. Kyle tem que consertar isso, e ele irá conseguir.
- Vai confiar o destino do multiverso a um garoto?
- Uma vez em sua vida, Lúcifer, tenha fé.
 Kyle consegue chegar até onde Christian está. Ele vê as visões do passado de Christian e grita por ele, mas ele não o ouve. A visão da morte da família de Christian começa a mudar, mas à medida que Christian manipula o evento, o ambiente ao redor deles começa estilhaçar. Kyle avança para cima dele, golpeando seu braço direito com a espada. Em meio à dor, Christian solta a Chama de Deus é agarrado por Kyle, que abre um portal e os dois caem em Oxford Street.
As fendas, os raios, o vento e o céu sangrento desaparecem. Tudo volta ao normal:
- As barreiras que separam o mundo físico do mundo espiritual foram restabelecidas. – diz Jesus olhando alegremente para o céu.
- Ótimo. – diz Lúcifer – Significa que posso fazer isto.
Lúcifer estala os dedos, fazendo com que todos os demônios e almas amaldiçoadas que ainda estão presentes sejam arrastadas de volta para o Inferno:
- Acho que é hora de voltar para o meu Reino. Se cuide, Irmão.
Após Lúcifer abrir um portal e retornar para o Inferno, os anjos que estavam acompanhando Jesus caminham até ele:
- É hora de retornarmos ao Céu, meu Senhor? – pergunta um dos anjos.
- Ainda não.
- Mas o multiverso não foi destruído.
- Eu quero dar um presente, para todos.

 Christian se levanta e percebe onde está e o que Kyle fez. Antes que ele avance para cima do rapaz com a intenção de atacá-lo, Christian sente uma mão tocar as suas costas. Ele se vira e fica sem ar ao ver as almas de sua esposa e seu filho. Kyle observa a cena e ouve alguém, atrás dele chamando-o. Ele olha para trás e vê as almas de sua mãe e de Aidan, mal conseguindo conter as lágrimas.
Todos na Terra 4 veem as almas de seus entes queridos. Calista se encontra com a alma de Ben, Celiny com a almas de seus pais:
- Estamos orgulhosos de você, minha filha. – diz a mãe dela.
- Sempre seja você mesma. – diz o pai dela – Não precisa ser como nós.
- Eu sinto tanta a falta de vocês. – diz ela em meio a soluços e lágrimas.
De volta à Oxford Street, Kyle conversa com as almas de sua mãe e de Aidan:
- Me perdoem por não poder salvar vocês.
- Não havia nada que você poderia fazer, filho. – diz ela tocando o rosto dele – Não foi culpa sua.
- Você sempre foi um bom garoto, Kyle. – diz Aidan pondo a mão direita no ombro esquerdo dele.
- Tudo o que eu sempre quis e tudo o que quero é que seja feliz.
- Não estão desapontados comigo? O mundo, o multiverso quase foi destruído por minha causa.
- Você tomou uma decisão estúpida, mas não pode deixar isso te segurar. Você tem que seguir em frente.
- Aprenda com os seus erros, filho.
 Christian abraça as almas de sua esposa e de seu filho e se ajoelha, caindo aos prantos:
- Me perdoem! Por favor, me perdoem! Eu não queria... Eu nunca quis...
- Meu amor... – diz ela se abaixando e o abraçando – Você quis fazer o que fez conosco.
- Não, eu não....
- Christian, não minta para mim. Eu conheço você, conheço o ódio em seu coração. Mas agora é hora de parar. Não fuja do que fez. Livre-se dessa angústia, desse ódio. Olhe onde isso te trouxe.
- Me perdoe.
- Eu te perdoei. Agora perdoe a si mesmo.
Ela o solta e se levanta:
- Adeus.
- Espere, não vá...
Ela e todas as outras almas retornam para o céu, luzes brilhantes conduzidas para as estrelas. Todos na Terra 4 se sentem felizes, aliviados, renascidos por terem se reencontrado com os seus entes queridos, todos exceto Christian que olha para o céu com o sofrimento se expressando em puro ódio.
- Você estragou minha única chance! – grita Christian olhando com olhos demoníacos para Kyle.
- Eu sinto muito, Christian.
- Quando eu estava acessando a Chama de Deus, eu pude senti-los.
- Não, você não os sentiu. A única coisa que você estava fazendo era causar a aniquilação de tudo que existe.
- Eu os perdi para sempre!
- Você mesmo causou isso.
- Mas eu poderia ter desfeito! Eu poderia tê-los em meus braços neste exato momento! Tê-los de verdade, tê-los vivos aqui comigo! E você tirou isso de mim!
- Não podemos mudar o que houve. Apenas podemos viver com as consequências disso. Você sente dor por ter matado a sua família, mas você causou isso e terá que viver com isso.
- Não! Você vai me ajudar! Leve-me de volta para lá agora!
- Não. De hoje em diante você está sozinho.
Kyle se vira e caminha, deixando Christian sozinho, consumido pelo próprio sofrimento. Uma imagem semelhante se forma aqui. Dias atrás Kyle estava ajoelhado, consumido pelo seu sofrimento e Christian surgiu lhe oferecendo ajuda. Agora é Christian quem está na mesma situação de Kyle, mas o rapaz não tem interesse nenhum em ajudar um homem que matou a própria família, milhares de inocentes e que manipulou a sua vida.
Christian percebe essa semelhança de eventos, e se levanta furiosamente, gritando por Kyle:
- O que é? – pergunta o rapaz, virando-se para ele.
- Eu poderia ter tudo, quase tive tudo, mas você tirou tudo de mim. Isso foi por Celiny? Ficou com medo de perdê-la, de novo? Ficou com medo de perder tudo o que você já não tem?
- Eu fiz o que era certo.
- Eu dei a você um objetivo na sua vida, eu dei um rumo a ela!
- Você destruiu a minha vida assim como fez com tantas outras.
- Não, eu não destruí a sua vida. Não, ainda! Você tirou tudo de mim, e agora eu vou tirar tudo de você!
- Eu cortei um dos seus braços. Vá procurar um médico.
- Garoto idiota! Você tem muito que aprender, mas não viverá para isso.
Christian joga uma corrente de ar contra Kyle, mas ele consegue se segurar usando o ar em sua volta. Christian faz mãos de barro se erguerem da rua e agarrarem Kyle, mas ele se liberta e faz o chão se estender e engolir o seu algoz. Christian se liberta e faz a realidade girar ao redor de Kyle a faz se fragmentar em si mesma com o objetivo de fragmentar Kyle, mas o rapaz escapa abrindo um portal que o leva para Ponte de Westminster.
Christian chega por outro portal, erguendo seu braço para arrancar o relógio da Elizabeth Tower e arremessar na direção de Kyle. O rapaz consegue se desviar, mas é quase atingido pelo sino do Big Ben, também removido por Christian.
Kyle faz um chicote de água agarrar o pescoço de Christian que o arrasta para dentro do rio. O jovem então faz o rio congelar, porém, minutos depois Christian ressurge em sua forma demoníaca e ataca Kyle com toda sua fúria. O rapaz se transforma e retribui os ataques, e mesmo tendo a vantagem de ter os dois braços, Christian é quem desfere mais ataques.
São agora duas bestas se enfrentando em uma lota feroz na Ponte de Westminster. Christian rasga o peito de Kyle e tenta cravar as garras no rosto dele, mas o rapaz bloqueia com o braço direito e disfere um golpe de esquerda no rosto de Darwin, agarrando-o em seguida e o arremessando no chão, e então torna a desferir vários golpes nele. Ao desferir o próximo, Christian bloqueia com a asa direita, levanta-se usando as asas para atacar Kyle, e então desfere um golpe de direita no abdômen, um chute de esquerda no peitoral e um chute de direita no queixo.
Kyle cai no chão, e enquanto se levanta, Christian pega um dos ponteiros do relógio da Elizabeth Tower e o usa para atacar Kyle, arremessando contra o muro da Elizabeth Tower. Christian pega o sino e o joga em cima de Kyle. Em seguida ele agarra o rapaz, levando-o para o céu e o empurra para baixo, caindo junto com ele no topo da Elizabeth Tower e depois no meio da Ponte de Westminster.
Os dois voltam às suas formas humanas, com ferimentos pelo corpo todo, e se levantam com dificuldade:
- Você disse que me mataria, não é, Kyle? Por que não tenta fazer isso agora?
Christian faz um lança surgir do surgir do chão e atravessar o peito de Kyle:
- Ah, é. – diz ele rindo – Você não pode. Eu sou um sobrevivente, seu tolo! Todos morreram, mas eu permaneci, e é assim que vai permanecer.
- E o que você vai conseguir isso? Todos esses séculos e você não conseguiu nada. O seu legado não serviu para nada.
- Mas eu vou deixar um legado. Eu queria dominar este mundo, mas desisti. Mas agora não mais. Eu vou retomar esse objetivo, e vou fazer todos se curvarem perante mim.
- Mas eu ainda estou aqui e vou te impedir.
- Não, não vai. Você trouxe algo com você quando me impediu de usar a Chama de Deus, não foi?
Kyle percebe que Christian está falando da espada e abre um portal para voltar à Oxford Street, mas Christian também abre e os dois chegam ao mesmo tempo. Kyle corre e se joga ao chão para pegar a espada. Christian pula e cai com o cotovelo em cima das costas de Kyle. Ele se arrasta até a espada, mas Kyle abre um portal e faz a espada cair em sua mão. Ele se levanta rapidamente e fica a postos. Christian se levanta em seguida, olhando para a espada e olhando então para Kyle:
- Então é agora, garoto?
- Se você se aproximar eu te mato.
- Admito, nisso você venceu. Eu não posso tentar matar você, porque você irá me matar primeiro. Mas eu posso sair daqui agora mesmo e matar todo mundo. Não tenho nada a perder, mas você ainda tem.
- Tem razão.
O jovem avança e faz a lâmina atravessar a garganta de Christian. Ele poderia ter escapado, ter tentado qualquer coisa para driblar a morte, mas não quis. Ele queria que acabasse assim, já não tinha mais nada a perder. Kyle retira a lâmina de Christian e o sangue jorra da garganta dele. O neto do Senhor do Inferno cai de joelhos no chão e vê a poça de sangue se formando abaixo de seus joelhos, sangue quente, e olha para Kyle, quase sorrindo para ele como agradecimento por ter lhe dado uma vitória menor.
Ele abaixa a cabeça, aceitando as mãos da morte em suas costas e cai no chão, mas a sua alma continua ajoelhada. Ele se levanta olhando para seu corpo físico caído e ensanguentado. Alguns metros atrás dele, um portal se abre, de onde se pode ouvir gritos de desespero. A energia emanada de desse portal arrasta Christian para lá. Ele não faz nada para tentar escapar, apenas aceita o que está por vir. Ao se aproximar do portal, todas as almas amaldiçoadas que ele matou o agarram e puxam para dentro do portal. Ao olhar para o céu uma última vez enquanto é puxado pelas almas amaldiçoadas, ele vê a alma de sua esposa, olhando para ele com tristeza, com pena em seus olhos. Ele tenta dizer algo, mas o portal se fecha.
Christian acorda no Inferno, sendo recebido por palmas vindas de seu avô:
- Como é bom ter você de volta, meu neto. – diz Lúcifer.
- Eu vou me vingar de todos vocês!
- Pare com isso, Christian. Você está morto, você se deixou ser morto, você quis ser morto. O que significa que sua alma é minha para fazer o que eu quiser.
- Seja lá o que você for fazer comigo, eu não tenho medo.
- Bom saber disso.
Lúcifer estala os dedos e correntes amarrando e prendendo-se cada uma a um pulso e ao calcanhar surgem, esticando os membros de Christian. Os membros começam a ser esticados cada vez mais, e ele já não consegue esconder a dor:
- Acho que vou fazer um teste com você, meu querido neto.
O Senhor do Inferno arranca duas pinças de seu bolso, cravando uma em cada olho de Christian, que torna a gritar de dor:
- Acalme-se Christian. O que os olhos não veem o coração não sente. Mas permita-me continuar testando essa teoria.
Ele retira agora uma faca e começa a esfolar o peito de Christina até abrir uma abertura para o coração:
- Quer que eu o conserte, meu senhor? – pergunta Karen, caminhando até Lúcifer.

- Não, Karen. Do meu neto eu mesmo cuido, e vou ter todo o tempo de todos os mundos. – diz ele com satisfação em sua voz – Adoro o meu trabalho.
Uma semana depois, Londres ainda está se recuperando dos eventos que ocorreram, mas os cidadãos estão mais fortes do que nunca, com esperança em seus corações de dias melhores. Declan caminha pela sala do castelo onde vê Celiny tocar o piano, algo que ele vê pela primeira vez, não escondendo o encantamento em seu rosto ao vê-la tocar de forma tão bela. Não querendo interrompê-la, ele decide dar meia volta e caminhar para outro cômodo da casa, mas ela para de tocar e o chama:
- Você pode ficar aqui se quiser. – diz ela.
- Não queria te atrapalhar.
- Não está. Sabe tocar?
- Mais ou menos. Eu fui ensinado quando criança, mas nunca fui muito bom.
- Quer tocar comigo?
- Claro! Será uma honra.
Ele se senta ao lado dela e os dois tocam juntos. De fato, a habilidade dele para tocar, perto da de Celiny, é basicamente amadora, mas não chega a ser ruim:
- Você até que toca bem. – diz ela.
- Acho que está querendo ser gentil.
- Estou falando a verdade. – diz ela rindo.
- Está bem então. É a primeira vez que vejo você tocar.
- Não tive inspiração para tocar com tudo que aconteceu. Meus pais, Kyle...
Declan para de tocar e olha para ela:
- Você ainda sente falta dele.
- Não, eu não sinto.
- Ele ainda é um capítulo aberto na sua vida.
- Eu já fechei esse capítulo.
- Não, não fechou.
Ele se levanta e fica de costas para ela, colocando as mãos na cintura. Após dar um longo suspiro, ele se vira para ela e a olha firmemente nos olhos:
- Eu sinceramente queria que o que aconteceu tivesse dado um fim nessa história, mas você ainda precisa colocar um ponto final. Sabe onde encontrá-lo?
- Talvez.
- Você quer ficar com ele?
- Eu não... Não, não quero.
- Tem certeza?
- Eu escolhi ficar aqui.
- Mas você não quer ficar.
- Eu quero. Por que você acha que não quero?
- Porque você o ama. Depois de tudo ainda o ama. Se quiser ficar com ele, vá então. Eu não vou te impedir de ir atrás dele. Espero que vocês se acertem.
Declan se retira da sala. Celiny pensa em chamá-lo, mas decide não fazê-lo. Ele está frustrado e com razão, e de fato ele está certo sobre Kyle ainda ser um capítulo aberto na vida dela. Ela pede para o motorista levá-la para floresta e segue para o lago onde eles conheceram vinte anos atrás. Ao estar parada olhando o seu reflexo na água, ela se lembra daquele dia, dos tempos simples da infância:
- Achei que estaria no castelo. – diz Kyle caminhando até ela.
- Eu quis matar saudade desse lugar. Acho que a última vez que vim aqui foi dez anos atrás.
- Seis anos atrás, na verdade.
- Foi? Parece mais. – ela se vira e olha para ele, sorrindo – Soube que alguém tem secretamente ajudado a reconstruir a cidade.
- Só usando as minhas habilidades para algo que preste. Você está bem?
- Pela primeira vez desde que toda essa loucura aconteceu me sinto bem, de verdade.
- Que bom. Fico feliz em saber isso.
Os dois ficam em silêncio por alguns segundos, até Kyle se aproximar de Celiny:
- Eu... Me perdoe pelo que eu fiz.
- É, o que você fez foi desnecessário.
- Eu sei.
- Mas eu te perdoo.
- Obrigado.
Kyle desvia o olhar para o lago, tentando pensar em que conversar com Celiny e então volta o seu olhar para ela:
- Por que veio?
- Porque... Porque eu quero definir o que vai acontecer de agora em diante.
- Já definiu. Você escolheu ficar.
- Porque eu tenho que ficar.
- Celiny, eu não estou chateado com você. Eu... Queria tanto... Quero que a gente fique junto, mas a gente não pode.
- Não, não podemos.
- Então por que está aqui?
- Porque eu precisava te ver uma última vez. Me despedir de você de uma forma mais... Calma.
- Então isso é um adeus definitivo?
- Sim.
- Então eu espero que você seja feliz. E estou falando isso honestamente. Eu quero que você seja feliz.
- E eu quero o mesmo para você.
Kyle esboça um leve sorriso e estende a mão direita para ela:
- Fique bem, Celiny.
Ela estende a mão esquerda dela e o cumprimenta. Os dois se olham por alguns segundos enquanto suas mãos se balançam, até que Celiny o abraça e beija o rosto dele:
- Eu nunca vou esquecer você, Kyle. Nunca.
Ela o solta e se distancia dele, dando passos para trás, sorrindo para ele:
- Nunca é tarde demais.
- Para que?
- Para ser feliz. Adeus.
Ela então se vira e caminha, deixando-o definitivamente para trás, fechando o capítulo em aberto.
Kyle a observa se distanciar, desejando a ela toda a felicidade do mundo. Ele olha para a floresta e para o lago, pela primeira vez desde que voltou da Cidade Draconiana vendo que não há mais nada para ele em Londres. As palavras de Celiny sondam sua mente, sobre nunca ser tarde demais para ser feliz. Aqui para ele não há nada, apenas lembranças de uma vida que ele não pode mais ter, mas em outro lugar há o que ele precisa para um recomeço.
Kyle abre um portal, fechando em definitivo a porta de seu passado e abrindo uma nova para seu futuro, e chega a uma fazenda, no interior da China. Ele vê uma jovem plantando sementes no solo, uma jovem que ele conheceu na viagem para a Cidade Draconiana: Li. Ele caminha até ela até que a jovem percebe que ele está vindo e caminha até ele, sorrindo por ele estar ali enquanto ergue a mão direita para tentar tapar a luz do Sol em seu rosto:
- Não achei que fosse ver você aqui. – diz ela.
- Vim fazer uma visita.
- Achei que fosse ficar em Londres.
- Londres não tem mais nada para mim
- Então vai ficar aqui quanto tempo?
- Não sei. Ainda quer uma companhia?
- Claro. – diz ela sorrindo – Por que não?
Eles caminham juntos e as palavras de Celiny vem à mente de Kyle novamente. Nunca é tarde demais para ser feliz.

domingo, 5 de agosto de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 17: A Terra Cinco

Nas Terras espalhadas pela vastidão do multiverso, as cadeias de eventos muitas vezes são semelhantes. Algumas de nossas versões de terras paralelas podem ter um objetivo diferente do nosso, enquanto outras buscam o mesmo objetivo, mas as razões são diferentes. Um exemplo disso é que o houve com a contraparte de Kyle na Terra Cinco.
A Terra Cinco é quase igual à nossa, porém o planeta Terra se tornou uma metrópole, congelada na década de 1980. Vamos voltar no tempo para alguns meses atrás. Klaus está em um jantar com sua namorada Catherine. Eles estão juntos há dois anos, e hoje é o dia em que ele vai pedi-la em casamento. Ele está nervoso, mal conseguindo prestar atenção no que Catherine está falando:
-... Aí a Adelina foi comprar um novo walkman, mas ela descobriu que havia perdido o cartão de crédito. – diz ela rindo – Foi tão engraçado a cara dela na hora. Tipo, pareceu o fim do mundo para ela.
- Eu imagino. – diz Klaus fingindo que ouviu a história.
- Você está bem? Tá parecendo estranho.
- Nada demais, é que... Escute, eu...
- O que?
- Catherine, quer casar comigo?
A jovem fica paralisada:
- Eu não devia ter perguntado! – diz Klaus desesperado – Me desculpe.
- Não, você não fez nada de errado. É que eu estava despreparada.
- Fui rápido demais.
- Não, é que eu realmente não esperava isso. Isso é sério, você realmente quer se casar comigo?
- Mas é claro!
- Então me diga... – diz ela sorrindo e acariciando as mãos dele – Por que eu deveria dizer sim?
- Não é mais fácil você simplesmente dizer sim ou não?
- E qual seria a graça? Vamos, me convença.
- Está bem... – ele dá um forte e suspiro – Bem, minha mãe adora você.
- Isso é verdade.
- Mas não é só isso. Eu quero me casar com você porque é a minha melhor amiga. Você me faz ter certeza das coisas, nada parece incerto quando estou ao seu lado. Eu tenho uma ligação com você que não tive com nenhuma outra garota. Quando estou triste seu sorriso me alegra. E o mais importante, eu te amo demais e quero que você seja parte do meu futuro.
- Uau... – diz ela quase sem fôlego – Você ensaiou isso?
- Sim. – diz ele rindo – Quis fazer algo impressionante.
- Sabe como pode ficar mais impressionante?
- Não.
Ela se levanta e o pega pela mão, fazendo-o se levantar da cadeira:
- Me beije.
- Claro. – diz ele sorrindo, sabendo que ela quis dizer sim.
Eles dão um longo e apaixonado beijo. Quando Klaus percebem que as pessoas no restaurante os estão encarando ele diz para Catherine que eles devem voltar a se sentar:
- Eu deveria ter feito outra coisa. – diz Klaus.
- O que? – pergunta Catherine.
- Eu deveria ter me ajoelhado.
- E usado uma música de fundo.
- Ah, droga! Esqueci-me disso também.
- Relaxa querido. Quando completarmos 25 anos de casados você refaz o pedido direito. – diz ela rindo.
- Em minha defesa, eu estava nervoso. Ainda estou.
- Vamos pagar a conta e depois pensamos nisso.
Após pagarem a conta, eles saem do restaurante e caminham, de mãos dadas, pelas ruas úmidas e iluminadas de Londres, pensando sobre o futuro:
- Então, quando vamos nos casar? – pergunta Catherine.
- Eu estava pensando daqui um ano. Temos nossas faculdades para terminar.
- Não poderia ser para daqui a alguns meses?
- Acho complicado.
- Klaus, nós nos conhecemos há anos e namoramos há um ano e meio.
- Só quero ter certeza de que estamos fazendo as coisas direito.
- E estamos, porque estamos juntos. E juntos vamos construir o nosso futuro.
- Sim. Para todo o sempre.
O jovem casal é abordado por dois homens que apontam suas facas para eles, exigindo que lhes deem dinheiro. Klaus, colocando-se à frente de Catherine, na esperança de protegê-la, pega o dinheiro e o passa para os assaltantes. Eles tentam se aproximar de Catherine, mas Klaus os impede e os manda ir embora.
Irritados com a atitude do rapaz, eles agarram Klaus e começam a surrá-lo violentamente. Catherine pula em cima de um deles, fazendo com que os criminosos direcionem sua atenção para ela enquanto Klaus permanece caído e sangrando. Um deles disfere várias facadas no abdômen de Celiny, enquanto o outro a agarra. O que está com a faca dá o golpe final, cortando a garganta de Catherine.
A jovem cai no chão, sufocando em seu próprio sangue, enquanto os criminosos vão embora. À medida que ela se aproxima mais dos abraços da morte, Klaus recupera a consciência, e então finalmente percebe o que está acontecendo. Ele se aproxima dela e a segura em seus braços, pedindo para ela aguentar firme, mesmo sabendo que não há nada a ser feito. Só o que resta é ver sua amada morrer em seus braços, banhados pelo sangue dela.
Dia seguinte. O funeral de Catherine está acontecendo, reunindo os familiares e amigos dela. Enquanto enterram o caixão, Klaus relembra o que houve, desejando apenas ter uma forma de matar os responsáveis e trazer Catherine de volta. Ele permanece ali diante do túmulo dela, mesmo depois de todos terem ido embora. Sua mãe vem falar com ele, pegando em sua mão e acariciando o braço dele:
- Filho, já está na hora de irmos.
- Não, eu ainda quero ficar.
- Ela não vai voltar.
- Eu sei. Eu só... – ele começa a soluçar e a ter uma crise de choro, com suas pernas perdendo a sustentação e fazendo-o cair de joelhos no chão – Eu não estou pronto ainda para dizer adeus!
- Está tudo bem, filho. Está tudo bem. – diz ela se ajoelhando e abraçando seu filho, tentando a arrancar a dor do coração dele.
- Não mãe, não está nada bem. Ela era... Ela era jovem, ela tinha uma luz, ela iluminava tudo por onde passava e agora... E eu não pude salvá-la... Não pude salvá-la...

Com o passar dos dias, Klaus foi se isolando de tudo e todos, mal estava se alimentando e estava começando a beber em excesso. Em todas as vezes que ficou no ápice da embriaguez ele alucinou com Catherine, clamando para que ele a salvasse.

Oito semanas depois, Klaus foi a um bar comprar mais garrafas de bebida apenas para levar para sua casa, mas decidiu beber algumas doses ali mesmo. Cinco copos logo viram cinco garrafas, lamúrias silenciosas se tornam resmungos que logo se tornam xingamentos direcionados aos clientes do bar. Nisso, não demora muito até que um cliente zangado agrida Klaus, deixando-o com a boca sangrando e hematomas no rosto.

Klaus é retirado do bar pelo gerente, andando e cambaleando pela rua, praguejando sua desgraça para todos que passam ao redor dele. Ele cambaleia pela calçada até cair de rosto no chão. Ele tenta se levantar, mas seus braços estão fracos. As pessoas passam ao redor dele, ignorando-o, porém uma, um homem trajando uma blusa cinza com capuz, o ajuda a se levantar:
- Olá. – diz o homem.
- Oi. – responde Klaus, conseguindo se erguer, embora ainda esteja com as pernas bambas.
- Se sentindo melhor?
- Defina melhor.
- Onde você mora?
- Não te interessa.
- Eu ajudo você a chegar na sua casa.
- Para que? Não tem nada para mim lá. Me deixe sozinho.
- Você não pode ficar aqui, nem consegue ficar em pé.
- Ótimo, quem sabe alguém me mate.
- Escute, e que tal se eu levar você para a minha casa? É aqui perto.
- Eu posso estar bêbado, mas não vou dormir com você.
- Eu não sou esse tipo de cara. Só estou te oferecendo ajuda.
- Quer saber, por que você não vai se fo...?
- Acalme-se, meu rapaz. Me acompanhe até a minha casa, está bem? Ou tem algo melhor para fazer?
- Beber.
- Se for alguma coisa que não envolva álcool, então pode ser.
- Veneno.
- Eu pensei em algo mais ameno.
- Escuta aqui, seu maluco, eu só quero que me deixe em paz.
- Você mudaria de ideia se eu dissesse que tenho mais bebida alcóolica em casa? Porque eu tenho.
- Você não está me cantando, está?
- Eu gosto de mulheres.
- Bem, então eu vou.
Klaus acompanha o misterioso bom samaritano até a residência dele. Eles entram no prédio e passam perto de um homem fumando maconha, e os efeitos do uso prolongado estão visíveis já que o homem está se comportando como se estivesse em um estado hipnótico. Mas afinal, este é o problema com aqueles que usam drogas por diversão, só conseguem permanecerem presos em suas fantasias enquanto se autodestroem porque são fracos para enfrentar a realidade.
Eles finalmente chegam ao apartamento do misterioso bom samaritano após pegarem o elevador que os levou quatro andares à cima, caminhando pelo corredor e entrando na primeira porta à direita.
Entrando no apartamento, Klaus se sente como se estivesse em uma biblioteca velha e desarrumada, contendo livros que exalam velhice:
- Deveria arrumar isso aqui.
- Sim, mas digamos que eu tenha preguiça de fazer isso. Sente-se no sofá.
Klaus caminha até o sofá e se sente nele:
- Confortável.
- É um ótimo sofá, de fato.
- Cadê a bebida?
- Já vou pegar. Quer o que?
- Qualquer porcaria que você tiver.
O misterioso bom samaritano vai até a geladeira pegar uma bebida, mas não é nenhuma bebida alcóolica, é chá. Mas logo que ele retorna para a sala Klaus está adormecido:
- Finalmente ele vai parar de dizer bobagens. Acha mesmo que ele vale à pena?
Um fantasma de uma mulher aparece ao lado dele:
- Eu sinto nele a mesma dor que você sentiu. – diz ela – E a amada dele quer salvá-lo.
- Eu estou de acordo em tentar ajudá-lo, mas ele tem que querer.
- Você conseguirá.
- Espero que sim.
No dia seguinte, Klaus acorda sentindo uma intensa dor de cabeça e mal conseguindo abrir os olhos frente à claridade da janela:
- Deus, que que é isso?
- Se chama ressaca.
- Eu sei que é ressaca. – diz ele colocando as mãos sob os olhos.
- Eu preparei algo para você beber.
- É, nada como beber mais para curar ressaca.
Klaus acompanha o homem até a cozinha, que pede para ele se sentar na cadeira em frente ao balcão. Após Klaus se sentar, ele dá ele um copo contendo uma bebida, mas que não se parece em nada com uma bebida alcóolica:
- O que é isso?
- Algo que vai te fazer bom, meu rapaz.
Klaus pega o copo e toma a bebida, sentindo imediatamente uma sensação melhor, sentindo-se energizado:
- Nossa! O que é isso?
- Algo para curar sua ressaca.
- Isso é... Isso é ótimo! Deveria patentear.
- Meu nome é Dorian.
- Então a cor da sua blusa combina com o seu nome.
- Observação perspicaz, Klaus.
- Espere... – ele coloca o copo em cima do balcão e se vira para Dorian – Eu não disse o meu nome.
- Não precisa.
- Como você sabe o meu nome?
- Tenho alguns truques.
- Você é o que, um mágico?
- Quase isso. Melhor que isso, na verdade.
- Escute... Dorian... Eu não sei quem é você e sinceramente não estou a fim de seja lá qual brincadeira que você quer fazer comigo.
- Eu gostaria de lhe contar uma história.
- Não estou a fim, obrigado.
- Era uma vez um casal. – ele para ao ver Klaus cerrando os punhos e então prossegue – Eles eram felizes, muito felizes. Eles eram o mundo um do outro. Tinham todo um futuro pela frente, até que isso foi tirado deles quando ela foi assassinada de forma covarde. O coração do rapaz, cheio de amor, é mergulhado em ódio.
- Vai escrever um livro?
- Não, mas quero ajudar você a reescrever o seu futuro, assim como eu reescrevi o meu.
- E como eu faria isso? – pergunta Klaus com um ar de deboche.
- A história era sobre mim. Há muitos anos eu perdi minha esposa. Havíamos acabado de nos casar e ela foi tirada de mim, e assim como você, eu ficava reproduzindo a cena toda na minha cabeça. Sentado, isolado, e um filme sombrio sendo exibido em minha mente. Mas aí eu dei um jeito. Fui atrás dos responsáveis e os fiz pagar pelo que fizeram.
- Como?
- Venha comigo.
- Para onde?
- Levante-se daí e descubra.
- Por que está fazendo esses joguinhos comigo? O que você realmente quer?
- Eu soube o que houve com você, recebi um chamado. E desde então venho observando você. É quase como se eu estivesse me vendo. Como se eu estivesse em um cinema assistindo a mim mesmo quando eu perdi a minha esposa. Eu quero ajudar você, Klaus.
- E por que você iria querer me ajudar de livre e espontânea vontade?
- Você quer fazê-los pagar?
- Claro que quero.
- Então aceite a minha ajuda.
- Espero que isso não seja uma brincadeira de mau gosto.
- Confie em mim, não é.
- Está bem. Mas por que estou aqui?
- Vivemos na maior era tecnológica que o mundo já viu. As pessoas não creem mais em religião.
- E daí?
- E daí que anos atrás, depois que minha esposa morreu eu descobri a existência de magia através do ensinamento de milhares de anos contidos nesses livros.
- E você espera que eu acredite nisso?
- Não, pelo menos não de início. Algo desse tipo requer uma demonstração clara.
- Vá em frente, então.
Dorian dá um leve sorriso e olha para os livros espalhados pelo outro sofá localizado à sua esquerda. Ele estende a mão esquerda e faz os livros trepidarem, até que eles são erguidos. Ele vira a mão erguida na direção de Klaus, fazendo com que os livros flutuem até o rapaz.
Klaus fica surpreso com o que está havendo, verificando se não há fios ou algum dispositivo de efeitos especiais levantando os livros. De fato não há nada. Esses objetos estão realmente flutuando:
- Isso é impressionante. – diz Klaus.
- Sabia que ia pensar isso. – diz Dorian.
- Porém... Você espera que eu vingue a morte da minha noiva fazendo livros levitarem até os responsáveis.
- Não. – diz ele rindo, e jogando os livros em cima de Klaus em seguida.
- Por que você fez isso?
- Porque você é um idiota, e porque é divertido. Escute... – ele se aproxima de Klaus – Aqui há vários ensinamentos sobre magia. Eu demorei muito para aprender isso, mas você não irá precisar demorar tanto. Seja o meu aprendiz e eu lhe ajudarei a garantir sua vingança.
- E em troca do que?
- Acha mesmo que quero algo em troca?
- Sinto muito, mas não acredito que você esteja fazendo isso somente para me ajudar. Se você quer dinheiro veio falar com a pessoa errada.
- Não quero o seu dinheiro. Eu quero ajudá-lo, mas a escolha é sua. Pode ficar aqui e eu te ajudo a alcançar o seu objetivo, ou pode sair e continuar a fazer o que estava fazendo.
- Sendo assim, talvez nós nos vejamos por aí.
Klaus caminha até a porta, e estava a ponto de caminhar para fora, mas a oferta de Dorian começa a se tornar cada vez mais atraente, fazendo-o repensar em aceitar:
- Você conseguiu mesmo se vingar? – pergunta Klaus.
- Sim. – responde Dorian.
- Não há nada que possa trazer a minha Catherine de volta?
- Eu tentei ver uma forma de trazer a minha esposa de volta, mas não há. A verdade, Klaus, é que você terá que conviver com essa dor. Mas tendo os meios para vingar a morte de sua esposa ajudará a diminuí-la.
- E você garante que pode me dar os meios necessários para me vingar.
- É isso que estou tentando fazer nesses últimos minutos.
Klaus toca a maçaneta e fecha a porta, caminhando até Dorian:
- Está bem. Dê-me os meios para eu vingar a morte dela.
Depois disso até chegar ao mês atual, Klaus tem estudado de maneira abnegada os livros que Dorian forneceu para ele, aprendendo vários tipos de feitiços como levitação, duplicação ilusória, manipulação de elementos e cura. Porém há um livro que ele encontrou no apartamento de Dorian que o intriga, conseguindo pela primeira vez desde a tragédia ocorrida quase que apagar da sua mente a ideia de se vingar.
Esse livro trata da abertura de um portal para a Chama da Vida, algo que criou toda a vida, não só neste universo, mas em todo o multiverso, e que aquele que tiver acesso a ela, pode recriar todo o multiverso ao seu bel prazer. Klaus corre empolgado até Dorian:
- Por que não me contou sobre este livro?
- Onde o achou? – pergunta Dorian, com temor em seu olhar.
- Por que não me disse nada?
- Droga, eu deveria ter me livrado deste livro.
- Mas por quê?
- Porque ele é terrível.
- Como pode ser terrível? Ele é a solução.
- Não, Klaus, você não entende.
- O que eu não entendo é por que você não me contou sobre este livro. Eu poderia estar usando-o para salvar a minha noiva ao invés de ficar perdendo tempo lendo essa velharia.
- Você não sabe o que é isso.
- É a solução.
- Não, é a ruína. Se você tentar abrir um portal para este lugar, poderá ser o fim de tudo.
- Mas é claro que não! Se refizéssemos o multiverso ao nosso bel prazer, poderíamos trazer de volta todos os entes queridos mortos e quem sabe até corrigir as injustiças que existem. Criar um mundo perfeito.
- É aí que está o erro. Mexer com algo desse tipo é arriscado. Mudar o multiverso poderia acarretar no fim dele.
- Mas poderíamos tentar.
- Não! Por favor, Klaus, esqueça-se disso!
- Do que você tem tanto medo?
- Dê-me o livro.
- O que?
- Dê-me o livro, por favor.
- Vem pegar. – diz ele sacudindo o livro.
- É sério isso? – pergunta ele estalando os dedos.
Quando Klaus percebe, o livro sumiu de sua mão e vai parar nas mãos de Dorian:
- Me devolve o livro!
- Não. Sei que está irritado, mas confie em mim. O que esse livro possui é algo que é grande demais para nós dois.
- Meio hipócrita vindo de alguém que lida e está ensinando magia.
- Para o que podemos fazer não há limite, mas às vezes é bom ter um pouco de limite.
- Então de que adianta saber usar a magia se temos que limitá-la?
- Porque cabe a nós usá-la de forma sábia e saber para o que usar e para que não usar. Desde que aprendi a lidar com magia tenho usado para enfrentar criminosos. Mesmo com os grandes avanços de tecnologia que o nosso mundo tem, algumas coisas nunca mudam. Crime é uma delas. Quando a polícia não pode fazer nada, é aí que eu entro em ação.
- Novamente com hipocrisia.
- E por que eu estaria sendo um hipócrita?
- Você usa a magia para interferir na vida alheia e quer me impedir de fazer o mesmo.
- Eu uso para ajudar inocentes e punir malfeitores, não para os meus próprios desejos.
- Mas ainda assim você está satisfazendo um desejo seu.
- Sei aonde quer chegar.
- Então sabe que estou certo.
- Ainda tem muito a aprender.
- Você disse que passou pelo mesmo que eu passei. E se ao invés de ter usado isso para vingar a morte da sua esposa você tivesse usado este livro para trazê-la de volta?
- Confesso que isso chegou a passar pela minha mente anos atrás.
- E por que não o fez?
- Porque eu estaria mudando a vida de todos, inclusive a sua, e algo pior poderia acontecer. A teia da realidade é frágil. Se eu fosse manipular a realidade, alterar o multiverso, eu iria acabar desfazendo tudo.
- Mas valeria a pena tentar.
- A custo de destruir tudo?
- Às vezes é necessário arriscar.
- Volte para os seus livros, Klaus. Não me faça me arrepender de ter virado o seu mentor.
- A culpa não é minha se você é covarde demais para fazer alguma coisa.
Klaus fica furioso por Dorian não querer ajudar e retorna para o quarto onde tem vivido desde que se tornou aprendiz de Dorian. Mesmo com o que Dorian disse, ele não desiste da ideia de acessar a Chama da Vida, e pensa numa forma de pegar o livro de volta. Para poder fazer isso, e considerando que ele é ainda um mago amador, ele precisa fazer isso em um momento em que Dorian esteja desapercebido.
Enquanto isso, Dorian sobe para a cobertura do prédio, olhando para o céu noturno enquanto toma um copo de cappuccino, o qual está segurando em sua mão esquerda. Ele segura o livro contendo as informações sobre a Chama da Vida e como chegar até ela em sua mão direita, e olha para a capa dele. Lembranças de anos atrás, de quando ele teve o mesmo desejo de mudar o passado, invadem a sua mente:
- Você tem que ser paciente com ele. – diz o fantasma, aparecendo ao lado dele.
- Eu estou procurando ensiná-lo, mas ele é diferente de mim.
- Meu amor. – diz ela acariciando o rosto dele – Você quis fazer a mesma coisa quando eu morri.
- E eu estava me lembrando disso agora.
- Então por que não destrói esse livro?
- Já passou pela minha cabeça, várias vezes. Mas ao mesmo tempo que eu quero, algo me diz que eu preciso manter esse livro. Talvez eu só precise colocar em um local seguro.
- Eu poderia chamá-la para falar com ele.
- A noiva dele?
- Ela quer fazer isso por causa dela, então ela pode ser a única que pode colocar bom senso naquela cabeça dura.
- Poderia ser uma boa ideia.
Em seu quarto, Klaus continua estudando os livros e tenta praticar os feitiços. Todos os feitiços são na base de concentração e um comando mental de palavras, que são influenciados pelo estado emocional do praticante de magia, determinando seu desempenho e sua intensidade. Primeiro ele pratica o feitiço de mover objetos, depois de transportá-los para diferentes locais do apartamento. Ele então faz o feitiço de criar elementos e transmutá-los, o que se mostra um pouco mais difícil e requer uma concentração maior. Klaus então segue para um outro feitiço, um que é considerado mais complicado de se fazer, o feitiço de cristal. Ele consiste de usar as mãos uma energia que se materializa na forma de cristal e exibe momentos do passado do usuário, como assistir um vídeo pelo smartphone.
Ele tenta realizar o feitiço cinco vezes e em todas elas falha. Ele suspira profundamente e tenta mais vez, desta vez obtendo êxito. O cristal exibe uma memória, a memória de quando ele e Catherine se beijaram pela primeira vez. Seu coração se enche de alegria ao ver o rosto dela, em ver a alegria cintilante nos olhos dela e aquele sorriso doce e meigo, mas o feitiço se desfaz quando a tristeza domina seu coração novamente. Ele apoia os cotovelos nas coxas e cobre os olhos com as mãos enquanto lágrimas escorrem de seus olhos.
Ele sente estar sendo tocado no ombro por alguém, um toque gentil. Ele se vira para ver quem o está tocando e fica estático ao ver o fantasma de Catherine:
-  É... É você! Mas como...?
- Eu pedi para a mulher do Dorian, e para ele, que ele treinasse você.
- Por quê?
- Porque eu não queria mais ver você sofrer. Eu não queria ver você morrer.
- Se for para estar com você irá valer à pena.
- Não, Klaus. Eu quero que você viva, quero que você seja feliz, que tenha um objetivo. Por isso pedi para que o Dorian te treinasse. Você é uma boa pessoa e você pode fazer o bem com essas habilidades.
- Eu quero é você de volta.
- E eu estou aqui.
- Mas você não está viva. Você não deveria ter morrido, não era para você estar morta! Você não merecia isso.
- Eu também não queria ter morrido. Você não sabe a sensação de tudo... Acabar. Mas você não precisa ficar preso.
- Eu tenho a chance de te trazer de volta.
- Eu sei, por isso que estou aqui. Você não pode usar a Chama da Vida.
- Mas eu posso desfazer a sua morte e nós estaremos juntos de novo.
- Mas a que custo? Eu não quero que você sacrifique a vida dos outros para salvar a minha.
- Eu não vou destruir o mundo.
- Klaus, por favor. Você não é assim, você não é egoísta.
- Egoísta?! Eu quero salvar você. Eu posso desfazer a morte dele, ou então posso até matar aqueles desgraçados antes.
- Para! – diz ela tocando o rosto dele com as duas mãos – Você não é assim. Eu te amo e eu quero que você seja feliz.
- Como eu posso ser feliz sem você?
- Eu estou e sempre estarei com você. – diz ela tocando o peito dele.
- Não é suficiente, Catherine.
Ele se levanta abruptamente e grita por Dorian:
- O que você está fazendo?

- Eu vou te salvar, Catherine. Eu não pude salvar você naquela noite, mas desta vez eu vou te salvar.
Klaus continua gritando por Dorian e sobe até a cobertura, onde ele ainda está acompanhado do fantasma de sua esposa:
- O que houve, Klaus?
- Me dá o livro agora!
- Amor, por favor, deixe-me a sós com Klaus.
O fantasma da esposa de Dorian desaparece, deixando-o a sós com Klaus. Dorian faz a caneca de cappuccino ir para a cozinha e caminha até Klaus segurando o livro:
- Não faça algo estúpido.
- O único estúpido é você. Você tem algo que pode mudar tudo e se recusa a usá-lo. Eu não sou um covarde como você, Dorian.
- Sim eu tenho algo que pode mudar tudo, mas que também pode matar tudo que existe. Você não entende o risco de usar isso?
- Eu tenho que tentar. Eu vou ter Catherine de volta, Dorian. Custe o que custar.
Eles ouvem um estrondo e um clarão surge, deixando todo o planeta sem energia. Ventos uivam, tornando-se mais ferozes. Raios gritam e fendas na realidade em todo o planeta começam a surgir:
- O que está havendo? – pergunta Klaus.
- Acho que alguém está cometendo o seu erro.
- Do que você está falando?
- Alguém deve estar acessando a Chama da Vida.
- Mas só você tem o livro.
- Alguém de outra Terra.
Dorian abre o livro e invoca o feitiço para abrir um portal que o levará diretamente para a Chama da Vida. O portal se abre, com uma claridade intensa que quase os cega. Quando eles conseguem abrir os olhos eles veem Christian acessando o que para eles é a Chama da Vida. Christian olha para eles, com um olhar de desafio:
- Eu cheguei aqui primeiro, pessoal!
- A Chama da Vida é minha! – grita Klaus, que sai correndo e empurra Dorian para entrar dentro do portal.
Ele tenta atacar Christian, mas ele usa uma de suas asas para se defender dos ataques e faz uma fenda se abrir abaixo dos pés do rapaz, fazendo-o cair na corrente do multiverso. Dorian atravessa o portal e tenta atacar Christian com seus feitiços de ataque. Um deles atinge Christian, fazendo-o soltar a Chama de Deus por um momento. Dorian aproveita e continua atacando Christian, se preparando para dar o golpe final, mas Christian contra-ataca com seus poderes e com ataques físicos, dando um chute no joelho direito de Dorian, quebrando-o. Ele quebra o pescoço dele e coloca suas mãos na Chama de Deus novamente.