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domingo, 15 de julho de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 12: O Senhor do Inferno


Lúcifer é alto. Pele branca e cabelos louros, quase dourados. Seus olhos são vermelhos, o mesmo vermelho que se vê em sangue fresco. Suas vestes são uma jaqueta de couro negra, uma camisa negra com os dois botões superiores abertos, calça negra e sapatos de bico longo negros. Ele anda até Christian, carregando um copo de uísque na mão esquerda e charuto aceso na mão direita:
- Achei que só veria você quando alguém fosse matar você.
- Mas eu já estou de saída.
- Mas agora? Temos tanto para conversar. Você quase tomou o poder e agora quer tomar a realidade.
- Eu quero salvar a minha família.
- A família que você mesmo matou. Eu tenho um lugar especial para homens que mataram suas famílias.
- Você condenou a humanidade e agora quer me punir?
- Foi Eva que quis comer do fruto proibido. Ela poderia ter recusado, mas aceitou. As criações do meu Pai gostam de me culpar por tudo de ruim que acontecem com elas, ou então culpam Ele. É engraçado, mas patético porque se você olhar todas as almas que estão aqui foram elas que causaram sua própria ruína. Elas poderiam ter escolhido um caminho melhor, mas escolheram fazer coisas ruins. Eu apenas dou a arma e elas puxam o gatilho. E você não é diferente. Você matou a minha filha e causou outras inúmeras mortes. Você tem que viver com o erro que cometeu.
- Eu não quero! Eu vivi tempo demais com este erro. Apenas uma vez na minha vida eu quero fazer algo certo. Se eu chegar até a Chama de Deus vou apagar tudo de ruim que fiz.
- Nem eu chegaria perto daquilo.
- Porque você é covarde.
- Falou aquele que deixou todos os seus parentes serem massacrados enquanto ficava escondido.
- Eu quero mudar o que eu fiz. Por que vocês não entendem o que quero fazer?
- Usar a Chama de Deus é arriscado. Se fosse 100% seguro, eu mesmo já teria usado aquilo, mas a verdade é que não é. Aquilo é poderoso e instável demais. É como chutar uma taça de cristal.
- Vale a pena o risco.
- Você é tolo.
- Eu vou recuperar a minha família. Custe o que custar.
- Você não vai sair daqui.
- Você não pode me impedir.
- Eu sou o seu avô. Sou mais poderoso do que você e seus poderes não irão funcionar aqui. Que tal brincarmos?
Das cinzas, Lúcifer faz surgir dois monstros de quatro braços e os manda pegar Christian. Ele foge tentando encontrar um lugar para se esconder. Ele não enxerga um precipício à sua frente e cai de uma altura de 10 metros em cima de uma pedra. Ele se levanta praguejando de dor e jurando se vingar de Kyle. Lúcifer caminha até ele, se agachando e soprando a fumaça do charuto no rosto dele:
- Que queda longa, hein?
- O que está esperando? Me mata logo.
- Eu poderia, mas vou fazer bem pior.
Ganchos surgem do chão e se prendem aos braços e pernas de Christian e faz os ganchos estenderem os membros até dilacerá-los:
- Deus! – grita ele.
- Poxa Christian, se esqueceu? Deus não está aqui, somente o diabo.
- Me mate logo então.
- Eu pretendo, meu caro neto, mas antes vou me divertir fazendo você sofrer. Primeiro, vou reunir você com seus queridos amigos. E por amigos quero dizer todas as pessoas que você matou. Nossa, foram tantas, não é? Pessoal, podem vir!
Todas as almas que vieram parar aqui por causa de Darwin correm até onde eles estão assim que Lúcifer dá o comando. Elas o agarram e o surram, enquanto Lúcifer apenas olha, se deliciando com seu uísque e charuto:
- Avô, por favor!
- Eu aviso sua mãe para vir te buscar depois que você terminar de brigar com seus amigos. Ah, não espera, você a matou. Hum, acho que vai demorar um pouco. Tenha um ótimo chute no saco.
- Avô!
Lúcifer ignora os gritos de socorro de Christian e levita até o topo do precipício:
- Adoro o meu trabalho.
Em Grasmere, Kyle e Li enterram o corpo de Jason. Ele larga a pá e olha para o céu nublado, relembrando tudo o que houve e se xingando por ter se permitido ser manipulado por Darwin, ou melhor, Christian:
- Não foi sua culpa, Kyle.
- Foi sim.
- Você não tinha como saber que o Darwin te manipulou.
- Sabe o que é pior? O Jason disse para eu não buscar a Chama de Deus. Eu prometi a ele que não o faria, mas depois de saber isso tudo eu apenas quero encontrá-la e mudar tudo. Isso não é justo.
Li se aproxima e o abraça, um abraço forte, tentando extrair a dor do rapaz:
- Vamos tentar esquecer isso e seguir em frente.
- Li, eu não tenho como seguir em frente.
- Tem sim. Fique comigo, por favor. – diz ela acariciando o rosto do rapaz -Podemos ir para qualquer lugar. Vamos recomeçar.
- Eu não posso. Sinto muito. 
Ele olha uma última vez para o túmulo de Jason:
- Descanse bem, amigo.
No Inferno, os generais de Lúcifer, Cain e Judas, ambos com uma aparência inumana, trazem Christian, arrastando-o no chão rochoso. Cain possui uma mancha negra no lado direito de sua face e carrega um bastão de pedra, amarrado em suas costas. Judas possui uma coleira de espinhos na garganta e carrega com ele uma corda. Eles caminham até o palácio de Lúcifer, o único lugar brilhante em todo o Inferno, um lugar feito todo de cristal emanando luz, uma luz na escuridão. Os portões são altos e se abrem quando Lúcifer se aproxima:
- O que quer que seja feito com ele, mestre? – pergunta Judas, com sangue escorrendo de sua boca e de sua garganta quando ele fala.
- Vou deixar a diversão para vocês.
- Então eu posso golpeá-lo com uma pedra? – pergunta Cain.
- É claro. Por favor, aproveitem.
Lúcifer entra no palácio e os portões se fecham. Judas pega a corda e amarra no pescoço de Christian, apertando bem. Christian que antes estava desacordado desperta tentando respirar. Cain pega o bastão e estende os seus braços:
- Igual a Abel.
- Por favor... – diz Christian – Tenha misericórdia.
- Só se tiver uma moeda de prata. – diz Judas.
Lúcifer caminha até uma prateleira cheia de bebidas e pega uma garrafa de gim:
- Acho impressionante como você não tentou abrir um bar na Terra. – diz uma voz.
- Sonhei uma vez que eu tinha uma boate em Los Angeles. – Lúcifer, que estava sentado de costas, se levanta e olha para a figura que está falando com ele – Como está Gabriel?
Gabriel é alto, com cabelos ondulados e com cor de bronze além de ter uma pele bronzeada. Ele vem andando até Lúcifer com suas asas estendidas e trajando um terno branco:
- Estaria mentindo se dissesse que estou feliz de estar aqui.
- Culpe Deus, não a mim.
- Foi você quem quis enganar Adão e Eva para obter adoração.
- Está falando como se fosse como as criações Dele que sempre culpam a mim ou a Ele pelas coisas ruins que acontecem com eles.
- Quando se trata do que você fez você fala igual a eles.
- Eu sou superior. Sou aquele que se opôs a Deus e aqui eu sou Deus. Não sou nada igual aos humanos.
- Se fosse assim não teria dormido com uma.
- Sugiro que se cale.
- Ainda a ama, não é?
- Gabriel, estou sendo educado. – diz Lúcifer com um olhar firme.
- O diabo tem capacidade para amar.
- Você está começando a me irritar.
- Todos nós lá no Céu sabemos que é verdade. Se não por que mais estaria torturando o seu neto.
- Ele é um assassino. É para isso que o inferno serve.
- Mas ele matou a sua filha, Agatha.
- Sim, a matou. É por isso que está aqui, não é?
- Vim me certificar de que não haverá como Christian escapar.
- Impossível.
- Ele é bem astucioso, e está determinado mais do que nunca a buscar a Chama de Deus.
- Ele tentou e falhou, e não foi?
- Mas chegou perto de acessar.
- E daí? Se ele conseguisse derrotar os seus soldados os outros anjos iriam detê-lo. É engraçado vocês não terem se envolvido mais ativamente nessa situação antes.
- Você sabe muito bem as regras. Não podemos intervir a todo momento e deixar os humanos extremamente dependente de nós. Podemos e devemos protegê-los e ampará-los, mas eles precisam caminhar com suas próprias pernas.
- Grande porcaria. Achei que fosse vir acompanhado com Jesus.
- Ele está ocupado.
- Algo relacionado com Christian?
- Mais ou menos. De qualquer forma, se quiser, eu e os outros podemos lidar com Christian.
- Já disse que ele não vai escapar. Deixe que eu mesmo cuido do meu neto.
- Acho bom.
- Não está no direito de exigir nada. Diga para Jesus que mandei lembranças.
As asas de Gabriel emitem uma luz e ele desaparece, tendo se teleportado para o céu. Lúcifer grita para Cain e Judas trazerem Christian. Eles o arrastam pelos pés, seu corpo está com vários hematomas e todo ensanguentado, mas ele ainda está consciente. Lúcifer os manda se retirarem e eles obedecem. Ele olha para seu neto, com mão no bolso direito da calça e com o copo de uísque na mão esquerda:
- Como está se sentindo? – pergunta Lúcifer em tom de deboche.
- Devolve-me os meus poderes! – grita Christian.
- Acho que não.
- Por favor, meu avô, precisa deixar-me cumprir minha missão.
- Eu não dou a mínima para o que você quer. É uma pena eu não ter ido pessoalmente buscar você.
- E por que não o fez?
- Porque Ele impediu que eu pusesse os pés na Terra novamente. Digamos que ter tido relações sexuais com uma humana, ter tido uma filha com ela, foi uma transgressão grave. Por isso não pude vê-la mais. Por isso não pude fazer algo para salvá-la quando você tirou a vida dela.
- Foi um erro entre tantos que eu cometi. Mas eu quero desfazer tudo. Eu posso trazê-la de volta também.
- Você não vai desfazer, porque não há como ser desfeito.
- Se me deixar chegar até à Chama de Deus, posso reverter o que Ele fez com você. Eu posso te tirar daqui.
- Você não escutou nada do que eu disse, não é? Você vai chutar uma taça de cristal. Não! Vai pisar nela.
- Por favor!
- Você não merece uma segunda chance.
Lúcifer estala os dedos e correntes surgem, cravando seus ganchos nos antebraços de Christian e deixando-o suspenso. Ele grita de dor enquanto Lúcifer se diverte com o seu sofrimento:
- Me solta!
- Eu poderia, mas não. Se me der licença há novas almas aguardando a minha recepção.
- Lúcifer!
- Deixe o vovô trabalhar, meu netinho.
O Inferno é um mundo imenso, infinito, tendo sido criado por Deus após Lúcifer fazer Adão e Eva comerem do fruto proibido. Cain foi a primeira alma a vir para o Inferno, sendo o experimento de Lúcifer. Após incontáveis anos sendo torturado, Lúcifer tornou Cain seu primeiro general, e quando anjos foram expulsos do Céu e quando os Nefilins morreram, Lúcifer os usou para montar o seu exército de demônios. Algumas das almas que vão para no Inferno também se tornam membros do exército de demônios, com a aparência original delas sendo alteradas e ganhando no lugar feições e formas demoníacas. Mas embora tenha o exército a seu dispor, Lúcifer desistiu há muito tempo de usá-lo em alguma possível ofensiva contra o Céu.
As almas que aqui são enviadas por causa de seus gravíssimos pecados não são apenas almas da Terra 4, mas de todas as Terras. Algumas até conhecem as almas de suas contrapartes de outras Terras. A punição que elas recebem podem ser tanto de serem condenadas a reviver o seu pior medo em um loop infinito ou serem submetidas ao mesmo mal que causaram a pessoas inocentes.
 Lúcifer se encontra com sua mais recente aquisição ao seu exército de demônios, Karen Witwer, nativa da Terra 1, que quando estava viva foi uma jovem prostituta usada em uma experiência secreta do governo americano para a criação de super-humanos. Ela tinha um poder imenso e o usou para arruinar a vida daqueles que a machucaram bem como para arruinar a vida de pessoas inocentes. E esse poder imenso acabou sendo a causa de sua morte.
Desde que se tornou a mais nova adição no exército de Lúcifer, Karen divide o seu tempo entre recepcionar as recém-chegadas almas e realizar punições:
- Olá Karen. – diz Lúcifer, que acaba de chegar à Recepção.
- Meu senhor. – diz Karen, saudando-o.
- Estes são os novos moradores, correto? – pergunta Lúcifer se referindo a um grupo de jovens mal vestidos que estão ali diante deles, quase tremendo de medo.
- Eles eram uma gangue da Terra 3.
- Estou ciente disso.
- Do que vocês tão falando? Quem são vocês? – pergunta um dos rapazes.
- Ora, é bem simples. – responde Lúcifer – Vocês estão mortos e aqui é o Inferno. E sendo que vocês eram uma gangue eu tenho a punição perfeita para vocês.
- Quer que eu cuide disso, meu senhor?
- Não, Karen, deixe que eu mesmo lido com eles.
Lúcifer estala os dedos e correntes surgem do chão enganchando o rosto de cada um dos jovens e arrastando-os para abaixo do solo:
- Acho que você pode agora realizar a sua sessão de punição.
- Obrigada, meu senhor.
- Divirta-se.
Lúcifer retorna para seu palácio enquanto Karen caminha em direção a uma sala montada por Lúcifer especialmente para ela, onde estão três pessoas, acorrentadas, associadas ao passado de Karen. Essas três pessoas são Nicholas Connery, Cassidy Moore e Big Gus. Nicholas era um bem-sucedido empresário e cientista que tinha parceria e amizade com Cassidy Moore. Juntos foram os responsáveis por realizar nela a tal experiência secreta. Já Big Gus foi o cafetão dela que abusou sexualmente dela diversas vezes. Ela matou os três quando estava viva e Lúcifer permitiu a ela puni-los da forma como ela quisesse:
- Oi. – diz ela segurando duas facas – Eu vim consertar vocês.

terça-feira, 10 de julho de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 11: A mentira


Sr. Zhang, após Darwin forçá-lo, dá a ele mais 2.000.000, além de um pagamento adicional para Li que foi a única sobrevivente da tripulação de piratas. Darwin também exige que eles usem os quartos na cobertura para passar a noite e que cuidem de Jason. Zhang envia um barbeiro para Jason e envia também roupas novas para ele.
Duas horas depois, Kyle e Darwin estão na cobertura, admirando a paisagem de Hong Kong no anoitecer:
- É por isso que eu sempre cumpro o trabalho. – diz Darwin – Você pode cobrar mais dinheiro e ganhar mais alguns benefícios.
- Mas você pode ter isso tudo sem trabalhar para caras como o Zhang.
- Sim, posso.
- Então por que faz isso?
- Acho que gosto de ver esses caras dependendo de mim. E é algo de útil que tenho para fazer nas horas vagas. Amanhã iremos para casa e nos preparemos para ir ao Vaticano.
- Bom.
- É... – diz Darwin, notando que Kyle não está tão empolgado com a ideia como antes – Como conseguiu melhoras suas habilidades tão rápido?
- O Jason me deu ajuda.
- O Jason?
- Sim. Ele me deu uma orientação boa, muito boa, de como controlar esses poderes.
- Interessante. Para um missionário ele parece saber de muitas coisas.
- Eu vou ir lá no quarto dele ver como ele está?
- Tudo bem. – diz Darwin, não gostando de Kyle estar muito próximo de Jason.
Kyle segue para o quarto onde Jason está e bate na porta:
- Pode entrar. – responde Jason.
O rapaz abre a porta e vê Jason, trajando um terno azul escuro, uma camisa branca, uma gravata vermelha com listras pretas e sapatos pretos, novos curativos nas mãos, com o cabelo curto e com um sorriso em seu queixo quadrado:
- Você está diferente. – diz Kyle rindo.
- Estou me sentindo limpo. É bom estar de volta à civilização, apesar de que esse Sr. Zhang não me parece ser alguém de respeito.
- Não, não é.
- O que você irá fazer agora?
- Eu não sei.
- Kyle, lembre-se do que eu te disse sobre a Chama de Deus.
- Eu sei o que você disse. Só não sei porque o Darwin não me contaria a respeito.
- Talvez ele não saiba sobre isso. Ou ele saiba e ainda assim quer fazê-lo.
- Depois do que você me contou sobre a Chama de Deus... Eu não sei... Parece que essa jornada foi inútil. Eu acreditei tanto que iria dar certo, eu quis tanto mudar a minha vida.
- Eu sei que dadas as circunstâncias isso pode não ser de muita ajuda, mas se você quer uma mudança seja a mudança.
- Realmente mais fácil falar do que fazer. – diz ele rindo.
- Nunca é tarde para tentar.
- Oi. – diz Li entrando no quarto.
- Olá Li.
- Nossa, você está diferente, Jason! – diz Li espantada.
- Tenho ouvido muito isso. – diz ele rindo.
- Se vocês quiserem eu conheço um bar que fica aqui perto. Fica por minha conta.
- Missionários bebem?
- Em doses moderadas, Kyle.
- Acha que deveríamos chamar o Darwin para ir junto?
- Não! – dizem os dois juntos.
- Que bom, então vamos.
Os três saem do quarto e seguem para o elevador. Há um faxineiro no corredor. Ele olha para os três entrando no elevador e assim que as portas do elevador se fecham o faxineiro se transforma em Darwin. Ele seguiu Kyle e ouviu a conversa dele com Jason, e se disfarçou de faxineiro para que eles não o percebessem.
Os três saem do Grande Cassino Chinês pelas portas da frente e seguem em direção ao bar, sem saber que estão sendo seguidos por Darwin. Eles chegam ao bar, um bar simples e cheio de homens bêbados e alegres. Darwin assume a forma de um idoso de 80 anos e se senta próximo à mesa onde eles estão sentados, acenando para eles. Pensando que é apenas um mero idoso eles acenam de volta:
- Velhinho simpático. – diz Li.
- Ele me parece familiar. – diz Jason encarando o idoso.
Li se levanta e vai até o balcão pegar as bebidas e retorna com elas para a mesa. Ela e Kyle bebem um copo de cerveja e Jason um copo de vinho:
- Fazia tanto tempo que não sentia o gosto desta bebida maravilhosa. – diz Jason.
- Que tal fazermos um brinde? – pergunta Li.
- A que? – pergunta Kyle.
- A novos caminhos.
- Por mim tudo bem. – diz Jason.
Eles fazem o brinde:
- Eu pensei bastante no que você disse Jason. Sobre aquela conversa que tivemos.
- Jura, e então?
- Eu vou sair dessa vida. Chega de bancar pirata, hora de seguir um novo rumo.
- Por isso o brinde. – diz Kyle.
- Sim.
- Já sabe o que vai fazer?
- Vou embora. Acho que vou para o interior.
- Você não me parece uma garota do interior.
- Eu viajei bastante por esses mares. Isso era a parte boa de ser pirata, mas depois do que aconteceu na Cidade Draconiana, eu prefiro continuar viva. Quero tentar levar uma vida tranquila. Talvez um abrir uma lojinha.
- Parece um bom plano.
- E você Jason, o que fará agora?
- Voltar para casa. Mas vou precisar de ajuda. Se puder me ajudar Kyle, com os portais...
- Conte comigo.
- E você, Kyle?
- Eu não sei.
- Ainda vai procurar pela Chama de Deus?
- Não, eu desisti da ideia.
- Por quê?
- Bem... – ele olha para Jason e depois olha para ela – Digamos que...
- Tudo bem, Kyle. Eu explico para ela. A Chama de Deus não é algo para se brincar. Kyle deve ter contado a respeito. Eu sei sobre ela e se Kyle, Darwin ou qualquer um tentasse manipulá-la isso significaria o fim de tudo.
- Como assim?
- O que o Jason quer dizer é que se eu usar a Chama de Deus para mudar o passado eu vou destruir o futuro. Darwin não me disse nada sobre isso e agora eu não sei para onde ir.
- Então venha comigo.
- Tem certeza?
- Vai voltar para Londres?
- Não.
- Então venha comigo. Seria bom ter uma companhia para viagem. E a viagem seria mais rápida. – diz ela rindo.
- Isso é verdade. – diz ele rindo – Quando você quer partir?
- Depois de acabar a cerveja, se quiser.
- Ah sim, ainda tenho que acabar a minha.
Darwin, ainda na forma de um idoso caminha até eles:
- Está uma bela noite, não é?
- Está sim. – responde Jason – Quer se sentar conosco?
- Eu não gosto de me sentar com traidores e mentirosos.
- O que? – pergunta Li, confusa com que o idoso disse.
Darwin volta à sua forma original e estende a mão direita e faz o chão engolir dos pés até o pescoço os corpos Jason e Li, imobilizando-os:
- Darwin, o que está fazendo?
- Você ia simplesmente dar as costas para mim? – diz ele movendo a mão novamente e fazendo a mesa ser jogada em direção a um poste próximo a eles. O ato faz as pessoas ali perto correrem assustadas.
- Solte eles.
- Responda a minha pergunta, garoto.
- Não precisa fazer isso, solte eles.
- Responda a minha pergunta!
- Eu contei a ele sobre a Chama de Deus. – diz Jason.

Darwin faz o chão erguer Jason enquanto Kyle liberta Li:

- Corre.
- Mas e vocês?
- Li, apenas fuja.
A garota sai correndo e Kyle caminha furioso até Darwin:
- O que pensa que está fazendo?
- Sou eu quem faço as perguntas. – Darwin volta o seu olhar para Jason – Como sabe sobre a Chama de Deus?
- Eu sou um ótimo missionário. Saber sobre a Chama de Deus é um privilégio para poucos.
- O que ele te disse, Kyle?
- Deixe ele ir.
- O que ele te disse, me responde droga!
- A Chama de Deus irá trazer o fim de tudo se a usarmos para mudar os nossos passados.
- Então ele te disse isso.
- É verdade?
- Olha... – ele dá um longo suspiro – Está bem, eu não tenho certeza suficiente de que isso de fato funcionará, mas eu tenho que tentar, e sozinho não posso.
- Por que não me disse que não tinha certeza?
- Porque eu prefiro acreditar que vai dar certo.
- Sendo assim, não posso trabalhar com incertezas.
- Não pode desistir agora. Eu salvei você, acolhi você quando eles te abandonaram. Eu abri as portas da minha casa para te abrigar quando a sua querida Celiny te deu as costas depois que ela viu a sua verdadeira forma.
- Você me acolheu porque só quer minha ajuda para chegar até essa Chama de Deus, não por compaixão.
- Você me deve isso! – grita Darwin.
- Eu agradeço por você ter me ajudado, Darwin. Mas eu prefiro seguir meu caminho de agora em diante.
- E o que você fará? Para onde vai? Pode não confiar em mim, pode até não me suportar, mas eu sou o único que entende você, o único que é o mais próximo de uma família. E o mais importante, sou o único que tem a chave para a sua felicidade. Por que é isso que você quer, não é? Sou eu quem pode te dar o meio mais fácil para conseguir isso. Vai mesmo querer seguir por conta própria? Boa sorte, então. Mas eu te garanto que você irá se arrepender.
- Então descobrirei isso por conta própria.
- Você vai voltar a me procurar. Disso eu tenho certeza.
- E por que você tem tanta certeza disso?
- Somos iguais. Você quer a mesma coisa que eu: felicidade. E assim como eu você fará tudo o que puder para obtê-la.
- Eu não sou igual a você, Darwin. Eu estou de pé. – Kyle ergue a mão direita e faz o chão abaixo de Darwin tremer e derrubá-lo – E você está caído aí no chão.
- Mas quando eu encontrei você, era você quem estava caído.
- Bem, parece que o aprendiz superou o mestre então.
- Você ainda tem muito a aprender, Kyle. – diz ele enquanto se levanta – Ainda tem muito a aprender.
- Sim, Kyle tem muito aprender. – diz Jason – Principalmente sobre o que você é.
- Do que você está falando seu missionário maldito?
- Eu tenho uma ótima intuição e ela nunca falha. Você Darwin, é um veneno. Ele carrega sangue nas mãos dele, Kyle, muito sangue inocente.
- O que você viu? – pergunta Kyle.
- Ele destruiu muitas vidas. Tantas vidas perdidas. Ele mentiu para você, mentiu sobre tudo.
- Cale-se! – grita Darwin.
- Ele causou a morte de sua mãe, Kyle!
- O que? – pergunta Kyle, sentindo um aperto em seu coração.
- Cale-se, você está mentindo! – grita Darwin novamente.
- Você matou sua própria família!
- Eu disse para se calar!
- Eu sei disso.
- Que diabos você é, um maldito médium?
- Talvez. Mas eu sei o que você fez, eu posso sentir.
- Diga mais uma palavra e você morre.
- Você matou a sua própria família e por mais que queira não pode fugir disso.
- Morra.
Darwin faz um punho de pedra sair do chão e atravessar o peito de Jason, matando-o instantaneamente. Kyle corre até o corpo sem vida de Jason, segurando-o em suas mãos trêmulas:
- Está feliz? – pergunta Darwin.
- Você... – ele tenta falar, mas está sentindo falta de ar – Você o matou!
- E você não fez nada. Ficou apenas assistindo.
- Por que você fez isso?
- Era o certo a se fazer.
- Ele disse que você causou a morte da minha mãe. O que ele quis dizer com isso? O que você fez?
- Esquece isso e vamos embora.
Kyle olha para o poste acima dele e o faz se desprender do solo e atingir Darwin:
- O que você está fazendo? – pergunta Darwin.
- Me conte o que você fez. – diz Kyle, com os olhos começando a se encher de lágrimas – Me conte agora!
- Está bem, eu conto. Por que não? – pergunta ele rindo – Eu joguei o esterco no ventilador e o espetáculo começou.
- Pare de jogos teatrais e me conte, agora!
- Já ouviu falar da primeira bruxa, a herdeira de Lúcifer?
- Agatha?
- Sim. Ela era a minha mãe, e eu a matei porque ela discordava da minha visão de mundo. Depois que o meu plano de tomar o poder, aliado às Foices Vermelhas, não funcionou, eu me escondi. Nossos parentes foram massacrados, mas eu sobrevivi. Comecei uma vida nova, conheci minha esposa, tivemos um filho. E então um dia ela descobriu o que eu era. Ficou assustada e quis ir embora e levar nosso filho com ela. Eu me enfureci e matei ambos. Eu... – ele começa a soluçar e a chorar – Eu tive vontade de me matar, mas percebi que eu tinha que conviver com isso.
- É por isso que você quer acessar a Chama de Deus. Para desfazer o seu erro.
- E eu cheguei tão perto da primeira vez, mas quase fui morto.
- Deveria.
- Touché. Mas uma parte de mim quis isso, mas o meu instinto de sobrevivência falou mais alto. Eu sabia que precisaria de ajuda. E então eis que sinto a presença de sua mãe, mas ela não era forte o bastante. Eu não sentia um grande potencial, e aí senti você, e senti o potencial que eu queria. Mas para ter você em minhas mãos eu precisaria tomar uma atitude drástica. Contei a seu pai quem sua mãe era, e menti dizendo que ela pretendia matá-lo. E deu certo. Quer dizer, não foi difícil, seu pai era maldito bêbado, um retardado, então foi fácil manipulá-lo.
- Eu não acredito... – diz Kyle sussurrando.
- Eu precisava que você sentisse ódio e desespero para convencê-lo a se juntar a mim. Mas aí veio algo melhor ainda. Você foi acolhido pelo Grande Rei e Rainha, apaixonou-se pela Grande Princesa. E aí eis que foi revelado não só para eles, mas para você mesmo a sua herança, e então a sua felicidade foi tirada de novo. E com isso bastou eu aparecer para lhe estender a mão – ele estende a mão direita – e lhe oferecer uma chance para mudar tudo. Ajudar-me a desfazer o mal que eu fiz.
- Você me manipulou... Você destruiu minha vida.
- Convenhamos Kyle, sua vida já estava condenada desde que você nasceu.
- Eu devia matar você.
- Mesmo que você tentasse você não poderia me vencer um duelo.
Kyle olha para o corpo de Jason e volta a olhar para Darwin, o homem que o colocou dentro de um jogo, o manipulou como um mero peão de xadrez. Ele deseja apertar o pescoço dele com suas próprias mãos, esfolá-lo vivo para puni-lo de todo mal que ele causou. Mas ele pensa em algo melhor. Ele abre um portal atrás de Darwin. Darwin olha para trás e vê um lugar deprimente e cinzento, habitado por vozes desesperadas. Kyle corre e chuta as costas de Darwin, fazendo-o cair neste lugar. Darwin cai em um chão cheio de cinzas. Ele se levanta, se desesperando, pois sabe que lugar é este. Ele diz para si mesmo que não é, mas sua mente sabe que é:
- Kyle não me deixe aqui! – grita Darwin.
- Vá para o inferno.
O portal se fecha.
Darwin tenta impedir que o portal se feche, mas não consegue. Aqui seus poderes não funcionam. Ele sabe que está condenado e aceita o fato quando vê uma figura que pensou que nunca mais iria ver:
- Olá, Christian. – diz a figura com uma voz vigorosa e melodiosa.
- Olá, avô.

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 10: Fuga da Cidade Draconiana


Londres, dia chuvoso. Celiny marcou uma reunião com o Comissário da Scotland Yard para conversar sobre o progresso na busca pelos Foices Vermelhas. De acordo com o Comissário, 10 membros do grupo foram presos em uma operação policial no dia anterior, mas não foi possível encontrar a localização do líder deles e, sendo assim, novas buscas estão sendo feitas por toda Londres.
Celiny se despede do Comissário e pede para um dos serviçais o acompanhar até a porta. Durante toda a conversa e até o momento de ele chegar à porta, Celiny se manteve calma, mas a porta se fechar quando ele sai, ela deixa sua raiva transparecer em seu semblante e no seu andar. Ela se tranca na biblioteca, gritando que não deseja ser incomodada.
Ela se senta à mesa e olha para o porta retrato contendo a foto dos pais dela, uma foto antiga, de quando eles eram jovens. Olhar a foto a acalma um pouco, fazendo-a lembrar dos doces tempos que agora estão no passado:
- Eu nunca serei tão boa quanto vocês foram.
Ela ouve o som de chaves destrancando a porta. A porta se abre e Declan entra trazendo uma sopa para ela:
- O que está fazendo aqui, Declan? – pergunta ela se levantando e o encarando com um olhar de repulsa.
- Eu trouxe algo para comer. Eu soube que não tomou seu café da manhã e como já estamos perto do horário do almoço, trouxe isso. É sopa.
- Eu sei o que é, posso sentir o cheiro.
- Como foi a conversa com o Comissário?
- Prenderam 10 dos Foices Vermelhas, mas não acharam o restante.
- 10 já é um começo.
- Mas não o bastante, não para mim.
- Eles serão presos.
- Eu quero eles mortos.
- É isso que seus pais iriam querer?
- Declan, você pode ser meu marido, mas não ouse pressupor o que os meus pais iriam querer para mim.
- Só estou dizendo que isso não está fazendo bem a você. Essa obsessão.
- Eles mataram meus pais.
- Mas pensar apenas em se vingar só irá te deixar pior.
- E o que me deixaria melhor? Eu não suporto você e eu não estou sendo a Grande Rainha que eu deveria ser.
- Porque você é uma idiota.
Celiny fica em silêncio por um momento se perguntando se ela ouviu o que Declan realmente disse para ela:
- Você me chamou de idiota?
- Eu iria usar um adjetivo pior, mas achei que seria desrespeitoso.
- Ah, e me chamar de idiota é muito respeitoso. Por que você não sai daqui? Eu não preciso de um inútil que nem você para me atazanar.
- Retiro o que eu disse. Você não é idiota, é uma retardada.
- Cale-se! – grita ela – Você não sabe pelo que estou passando. Não tem o direito de...
- Não, não tenho. – diz ele interrompendo ela – Mas só porque está magoada não lhe dá o direito de ser rude comigo. Eu só quero ajudar você. Tudo bem, posso não estar fazendo um trabalho bom, posso parecer inconveniente, mas sou eu que estou aqui com você. Eu não sou o Kyle, e quer queira quer não é hora de você aceitar que ele não vai voltar. – ele esfrega a testa com a mão esquerda e suspira – Você está sofrendo, está magoada, mas tem que parar de achar que só você está sofrendo. E você tem que parar de se cobrar tanto. Você acabou de virar a Grande Rainha, não pode esperar que irá desempenhar a tarefa tão bem, e não pode tentar ser os seus pais.
- Você mesmo disse que eu tinha que honrar o legado deles.
- Sim, mas você está tentando ser eles. Você tem que usar o que eles te ensinaram, mas também tem que ser você mesma.
- Eu não sou boa o bastante.
- Você tem que se permitir tentar.
Declan caminha até a mesa e coloca o prato de cima ali em cima, próximo à mão direita de Celiny:
- Coma um pouco.
- Por que você faz isso?
- Fazer o que?
- Estar presente mesmo que eu não... Que eu não mereça.
- Estamos casados. É meu dever cuidar de você, e eu quero que você fique bem.
Cidade Draconiana. Kyle, Darwin, Li, Michael e Jason seguem para o palácio do Rei da Cidade Draconiana. Michael os guia pelas passagens subterrâneas, a qual poucos tem conhecimento de tal, e Michael é um desses poucos. Essas passagens se iniciam a 70 km de distância do palácio do Rei da Cidade Draconiana, em uma outra caverna que séculos atrás era usada para desovar corpos de indesejados pelo reino draconiano. A pelo dos draconianos é tão resistente que alguns cadáveres tem a pele ainda intacta, como se a morte nunca tivesse chegado para eles, mas isso é apenas em se tratando da pele deles, porque o cheiro no local é extremamente fétido.
Não há palavras que possam descrever. No máximo um cheiro tão horrível que chega a ser sufocante e capaz de fazer qualquer um vomitar:
- Tem que ser por aqui mesmo? – pergunta Kyle.
- Querem recuperar seu carregamento de jade, não é? – pergunta Michael.
- Um carregamento de jade não vale isso tudo. – diz Li.
- Vocês humanos são muito sensíveis.
- Você podia ter dado maiores detalhes dessas passagens subterrâneas. – diz Darwin – Nunca vi nada cheirar tão mal quanto esse lugar.
- Você também não cheira muito bem, meio demônio.
- Por que você quer matar o Rei? – pergunta Kyle.
- Ele não é um bom rei e eu quero me vingar dele. Se eu derrotá-lo poderei ter o lugar dele, poderei me tornar o novo Rei.
- E quem disse que você seria um bom Rei? – pergunta Li.
- Eu com certeza serei melhor.
- Tem certeza de que esse é o caminho que quer tomar? – pergunta Jason.
- Jason, eu gosto de você, mas às vezes você é irritante.
- Estou apenas te alertando.
- Eu sei o que faço, e ninguém vai me fazer mudar.
- Eu não estou te forçando. Você é livre para escolher o que quer para a sua vida, mas escolhas tem consequências. Se matar o Rei e tomar o lugar dele coisas ruins acontecerão com você.
- Eu não fujo do perigo.
Após uma caminhada longa pelas passagens subterrâneas, eles chegam até uma porta enferrujada que dá acesso ao palácio:
- Então é aqui? – pergunta Darwin.
- Sim. – responde Michael.
- Onde encontramos o carregamento de jade?
- Pedras e outras mercadas preciosas que roubamos de navios que passam perto da Cidade Draconiana são dadas como tributo ao Rei, então com certeza estará no quarto dele. Neste momento ele não fica no quarto dele, então vocês podem entrar ali sem problema nenhum. Exceto pelos guardas.
- Quantos são? – pergunta Li.
- Muitos.
- Eu e Kyle iremos lidar com os guardas, vocês dois invadem o quarto. E você, Jason... Fique aqui.
- Não sou bom em brigas.
- O dia que missionários forem bons em briga o céu vai cair.
- E quanto ao Rei? – pergunta Michael.
- Iremos lidar com ele assim que pegarmos o carregamento.
Michael abre a porta e eles agora estão dentro do palácio. O lugar é enorme, com paredes e pilastras de mármore. Eles caminham até o quarto do rei e além de encontrarem os guardas, encontram o próprio Rei, que se mostra surpreso em ver Michael:
- Você está vivo? – pergunta o Rei.
- Achei que tinha dito que ele não estaria aqui. – diz Kyle.
- Posso ter me enganado. – diz Michael
- Guardas, matem todos!
- Mudança de planos. – diz Darwin – Kyle, vá com Li pegar o carregamento e cuide dos guardas que aparecerem. Lembre-se de...
Kyle avança para cima dos guardas jogando uma corrente de ar contra eles e outra corrente contra a porta, derrubando-a, deixando Darwin impressionado considerando a falta de habilidade de Kyle. Ele e Li entram no quarto do Rei enquanto Darwin e Michael lidam com os outros guardas e com o próprio Rei.
Da última vez que enfrentou os draconianos, há quase 24 horas, Darwin estava desprevenido, algo que deixou ele enfurecido. Ele não gosta de ser surpreendido pelos inimigos, mas agora ele terá a chance de dar o troco. Um dos guardas vem em sua direção carregando um machado. A lâmina reflete o vermelho escarlate da pelo do draconiano. Darwin estende a mão direita e faz o objeto se torcer, ganhando vida própria e se afundando no peito do guarda. A lâmina se deforma um pouco devido à pele doura do guarda, mas penetra em fundo em sua carne.
Três correm em sua direção e ele faz o chão engoli-los. Quando se afundam até o pescoço, Darwin faz o chão se solidificar, decapitando os guardas cujas cabeças saltam como rolhas de champanhe, um champanhe que borbulha sangue e carne. Os outros guardas começam a recuar, com medo de Darwin. Ele gosta disso. Ele apenas os encara com um sorriso sacana enquanto os guardas se unem, como ímãs. Eles gritam, tentando se soltarem, mas seus corpos se fundem, tornando-se uma grotesca fusão de corpos. A cena deixa tanto Michael quanto o Rei horrorizados:
- O que você fez com eles? – pergunta o Rei.
- Nada demais, eles só estão juntinhos. Agora o que fazer com você?
- O Rei é meu, meio demônio! – grita Michael, que corre na direção do Rei.
O rapaz se joga em cima do Rei e os dois caem no chão. A coroa cai de sua cabeça e rola até uma pilastra. Kyle corre até Darwin, que está parado com olhar de tédio vendo Michael e o Rei brigarem:
- Encontramos o carregamento de jade.
- Encontraram?
- Sim, há a logomarca do Grande Cassino Chinês no caixote.
- Fácil demais, pelo menos. Pegue o caixote e me espere no Grande Cassino Chinês.
- Eu vou buscar o Jason.
- Não, Kyle. Vá para o Grande Cassino Chinês.
- Não podemos deixá-lo aqui.
- Deixe ele para lá.
- Não.
Kyle vai correndo até a porta por onde entraram e chama Jason. Eles vão até o quarto do Rei, enquanto mais guardas chegam. Ele abre o portal para o Grande Cassino Chinês. Ele consegue movimentar o caixote para dentro do portal usando uma corrente de ar. Após ele conseguir fazer o caixote atravessar o portal Li pula para dentro dele, seguida por Jason e por fim Kyle.
Michael e o Rei continuam se enfrentando, com os guardas apenas olhando. Na tradição draconiana, se o Rei Draconiano está enfrentando o seu oponente não deve haver qualquer tipo de interferência. Eles só deverão agir quando a luta estiver ganha. Apesar de ser mais velho, o Rei é mais forte e consegue facilmente subjugar Michael, agredindo-o brutalmente:
- Posso interrompê-los por um momento? – pergunta Darwin.
- Eu sei o que você é, meio demônio. Meu tataravô enfrentou um da sua espécie, e o matou.
- Sério? Acho difícil isso.
- Guardas, deixem-me mostrar a vocês como um Rei da Cidade Draconiana lida com um Filho do Anjo Caído.
O Rei bate as asas e voa para cima de Darwin, cuspindo fogo no lado direito do corpo de Darwin. Darwin grita e cai no chão. O Rei pousa no chão e olha para os guardas e para Michael que ainda está se recompondo da luta:
- É por isso que eu sou o Rei. Porque eu, e todos da minha linhagem somos melhores. Dizem que os Filhos do Anjo Caído são as criaturas mais poderosas da Terra, mas hoje eu mostrei a vocês que isso é mentira. Nós somos melhores. Vida longa à Cidade Draconiana.
-  Vida longa ao Rei! – gritam os guardas.
Uma risada sinistra toma conta do corredor. O Rei se vira e vê Darwin se levantando e o encarando com um olhar sádico:
- A única mentira é o seu tataravô ter matado um Filho do Anjo Caído. Quer saber a verdade do realmente aconteceu?
Darwin caminha até o Rei, com as chamas em seu corpo se dissipando e ele se transformado em uma criatura demoníaca enorme com pele cor de sangue. Todos ali olham para ele assustados. O cérebro do Rei diz para ele reagir, correr, mas o seu corpo não obedece. O medo não deixa o corpo escutar o seu cérebro:
- Ele fez uma trégua com o Filho do Anjo Caído – diz ele com sua voz diferente, muito mais grave e agora macabra – para impedir que ele destruísse a Cidade Draconiana e o Filho do Anjo Caído aceitou. Sabe como eu sei disso? Porque era eu! – grita ele.
Darwin agarra o Rei pela garganta e voa com ele para fora do palácio, arremessando em cima de uma das casas. Ele avança para cima do Rei, cravando suas garras no peito escarlate do Rei e mastiga sua garganta. Os gritos do Rei ecoam por toda a Cidade Draconiana. Ninguém faz nada, todos estão petrificados de medo. Os guardas draconianos vão à procura de seu Rei, mas quando o encontram ele já está morto.
Darwin retorna para o palácio e encontra Michael. A cada passo que ele dá ele reverte para sua forma humana. Michael o observa atentamente, agora não mais com uma postura de audácia, mas sim com uma postura de cautela:
- Ele era meu! – grita Michael.
- Eu te fiz um favor, seu idiota.
Darwin caminha até a pilastra onde a coroa foi para. Ele se agacha, pega a coroa e caminha até onde Michael está, dando-lhe a coroa:
- Todo seu, Rei Draconiano. Qual será o seu primeiro decreto?
- Um muito simples. Nunca mais retornem.
- Está bem.
- Estou falando sério. Se voltarem, eu mato vocês.
- Isso é uma ameaça?
- Sim.
Os olhos de Darwin se tornam amarelos, a pupila se altera tornando-se esticada, sua boca aumenta de tamanho e os dentes se tornam longos afiados:
- Tente.
- Você não me assusta demônio.
- Suas palavras dizem isso, mas a sua voz e os seus olhos não.
- Saia daqui.
- Está bem. – o rosto de Darwin volta à forma humana – Como queira. Boa sorte em seu novo reinado, majestade.