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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Perfectus II - Capítulo 1: Karen Witwer

2025

Nova York, sábado, fevereiro. Uma jovem de pele clara, cabelos lisos e negros, um corpo magro, está dormindo. O dia anterior foi difícil, e por isso ela está extremamente cansada. Alguém bate na porta, batidas pesadas como se estivessem socando martelos na porta. Ela acorda, com a claridade machucando os olhos dela:
- Já estou indo! – grita ela.
Ela caminha até a porta e abre. Ao abrir o odor nauseante de cigarro sobe suas narinas e a faz tossir. O síndico do prédio, um homem de meia idade com de olhar morto, barbar por fazer e com um cigarro na boca, pergunta a ela sobre o aluguel:
- Eu vou pagar você. – responde ela.
- Você está atrasada um mês.
- Eu não estou com tantos clientes como antes. – diz ela fingindo rir – Eu realmente queria ter o dinheiro.
- Escute Karen, eu não tenho nada contra o que você faz. Eu sei que é um trampo difícil, mas ao menos você é a inquilina que dá menos problema para mim. Ainda assim eu preciso do dinheiro.
- Eu juro que eu vou te pagar. Semana que vem com certeza vou ter o dinheiro.
- Está bem, se cuida garota.
Karen Witwer, este é o nome da jovem. Karen fecha a porta e caminha até a sua cama, levantando o colchão. Ela mentiu ao dizer que não tinha dinheiro para pagar o síndico, na verdade ela tem uma boa quantia escondida embaixo do colchão. Ela poderia muito bem dar o dinheiro, mas ela não quer, não pode, porque esse dinheiro é o passaporte dela para sair de Nova York e começar uma nova vida em algum outro lugar. Karen coloca o colchão no lugar, tira a roupa, toma banho e se veste.
Nova York, noite. Está chovendo na cidade, uma chuva forte. Em meio aos clarões dos trovões, uma figura negra voa pelos céus, uma figura controversa conhecida como o Voador de Nova York. Alguns o olham com admiração, principalmente após ele ter detido um lunático que atacou Tokyo com um exército de robôs. Outros o olham com temor devido a ele quase ter assassinado um jovem e ter matado quatro homens.
Da calçada, Karen o observa. Ela está ali parada, admirando-o enquanto a água da chuva banha o seu guarda-chuva. Um carro estaciona perto da calçada e o motorista abaixa a janela, chamando ela:
- Aí garota, vem cá.
Ela se aproxima da janela:
- Oi lindo. – diz ela fazendo uma voz sexy.
- Quanto que tá o programa?
- 200 dólares a hora, sem descontos.
- Tá disponível pra umas... Quatro horas?
- Quatro horas? Você tá disposto a me pagar 800 dólares?
- Tô a fim de fazer uma festinha particular.
- Tô dentro.
Os dois entram em um motel. Uma hora depois, Karen sai de lá, com seus 200 dólares e com hematomas no rosto. Mais um cliente do tipo agressivo. Ela caminha até um carro estacionado, aparentemente vazio, e olha o seu reflexo, bem como os hematomas em seu rosto. Ele os cobre com o seu cabelo e prossegue caminhando, pensando logo em chegar a sua casa e abandonar esta vida. Ela ainda não pensou em exatamente para qual lugar irá, talvez se decida quando estiver fora de Nova York.
Três quadras depois há uma loja e ela entra lá, enquanto compra algo para comer, ela folheia uma revista na prateleira cujo assunto principal é a potencial ameaça que o Voador representa. Após a compra, ela deixa a loja e atravessa a rua, porém não vê que o sinal para pedestres estava no vermelho. Ela continua caminhando, enquanto que uma caminhonete se aproxima. Karen olha para o veículo e tudo que vê é uma luz forte, seguida de uma forte e dolorosa e batida que a arremessa para o chão, e então tudo se escurece.
Três meses depois, é noite em algum lugar da Califórnia. Nos arredores do deserto, há um laboratório subterrâneo conhecido como a Área 69 onde cientistas e soldados estão trabalhando. Cassidy Moore, um dos maiores nomes em genética no mundo, está em uma sala escrevendo sobre o futuro da genética. Dois andares abaixo da sala onde ela está, no terceiro andar, há uma sala cheia de invólucros. Dentro de cada um há alguém que foi usado para um experimento e agora está em estado de hibernação. Cada um desses indivíduos faz parte do exército que a presidente dos Estados Unidos da América, Ruth Renée Ford, está criando para o seu plano de dominação mundial.
Em um desses invólucros está Karen. Estando em estado de hibernação, ela está sonhando. Mas não são sonhos felizes, mas sim pesadelos horríveis. Seus medos tomam forma nesse pesadelo e a perseguem e a rasgam. O invólucro em volta dela começa a rachar. O alerta vermelho soa no complexo. Um soldado entra na sala de Cassidy, dizendo que há um problema com um dos invólucros. Ela está aqui a pedido de Ford que quis que ela supervisionasse os experimentos.
Cassidy deixa a sua sala e acompanha o soldado até à sala o andar onde os invólucros estão. Ela caminha com cautela até ficar parada de frente para o invólucro, ficando assustada e ao mesmo tempo impressionada:
- Srta. Moore, eu acho que é melhor se afastar. – diz o soldado.
- Isso é impossível. Ela deveria estar inconsciente, mas está reagindo.
 Karen abre aos olhos, despertando de seu pesadelo horrendo e cacos de vidro voam diante de seus olhos. Os cacos atingem o rosto e a garganta de Cassidy. Ela tenta falar algo, mas, se engasga com o seu próprio sangue e cai morta no chão. O coração de Karen dispara de desespero. Ela caminha, mas acaba caindo ao lado do corpo sem vida de Cassidy, já que suas pernas estão fracas.
Ela tenta se levantar enquanto os objetos ao seu redor começam a levitar e rachaduras começam a surgir no chão. Mais soldados chegam apontando suas armas para ela. Um deles exige que ela se levante, mas ela fica petrificada de medo. Ela se pergunta onde está e porque eles estão com armas apontadas para ela. O soldado exige novamente que ela se levante. Ela o olha com medo e acidentalmente lança uma rajada psíquica que o derruba. Eles começam a atirar em Karen, porém as balas não chegam a atingi-la, apenas ficam paralisadas. Karen olha espantada para o que acabou de fazer.
Os soldados atiram novamente, mas as balas ficam paralisadas assim como as anteriores. Os soldados prosseguem com os tiros enquanto Karen sente seu coração acelerar. Ela apenas quer que esse terror pare de uma vez e fecha seus olhos. Agora não há mais tiros, apenas baques. A jovem abre os olhos e vê os soldados caídos.
Karen prossegue andando, se perguntando o que está acontecendo. Sua cabeça começa a doer e milhares de vozes surgem, e junto com as vozes ela vê imagens, algumas alegres, outras tristes e outras grotescas. Enquanto ela sente como se sua cabeça fosse explodir, a ala começa a desabar. Karen consegue se proteger dos escombros graças a um campo de força psíquico que acabar de criar e, com dificuldade corre. Em seu caminho, mais soldados surgem. Após os encarar com medo, ela fecha os olhos. No momento em que os soldados puxam o gatilho, uma onda psíquica os dilacera e se espalha para todo o complexo, derrubando tudo ao redor dela.
Ela abre os olhos e vê tudo devastado a sua volta. Assustada, ela caminha sobre os escombros, rasgando as solas dos pés. Ela prossegue caminhando pelo deserto, tentando se lembrar do que aconteceu, de como foi parar lá, mas tudo o que lhe vem à memória são alguns flashes de sua infância, em que apanha de sua mãe drogada. Ela continua caminhando até chegar à estrada e prossegue andando pela beirada. Enquanto caminha, uma viatura da polícia a avista. O policial estaciona a viatura, perguntando o que aconteceu, mas a jovem apenas fica trêmula. Ele a leva para dentro da viatura e se dirige para a delegacia local.
Lá dentro eles lhe dão roupas e comida. Enquanto ela está dentro de uma sala, sentada em sofá, comendo um sanduíche e bebendo água, pensando sobre o que fez, a delegada entra na sala, com um sorriso. Ela se senta de frente para Karen:
- Você está bem? – pergunta ela.
- Estou, obrigada. – responde Karen.
- O que você estava fazendo lá no meio da estrada, nua?
- Eu... Eu não me lembro, eu realmente não me lembro. Só me lembro de estar lá no meio da estrada, nada mais.
- Você foi violentada?
- Eu não sei.
- Qual o seu nome?
- Karen. Karen Witwer.
- Tudo bem, Karen você está segura agora, e também deve estar exausta. Vou voltar para os meus afazeres e deixar você descansar. Quer assistir televisão? – pergunta ela apontando para a televisão próxima ao teto.
- Pode ser, obrigada.
- Vou ligar.
A mulher liga a televisão e sai da sala. Karen olha para a televisão. Está passando um programa em que o assunto é o Voador de Nova York:
- Boa noite. – diz a apresentadora do programa – Já faz um ano em que o Voador de Nova York surgiu. Primeiramente matando quatro ladrões, perseguindo alunos do time de basquete da Escola Jackson, inclusive quase matando o adolescente Alan Garrett. Até que depois desses eventos ele passou a lutar contra o crime, sendo o seu maior feito derrotar o terrorista Hong Chan, que se matou em sua cela há quase um ano. O mundo está dividido. Alguns consideram o Voador um herói devido aos seus feitos heroicos, já outros uma ameaça a ser neutralizada imediatamente.  Estamos aqui com o cientista político Morris Mason e o jornalista vlogueiro Mark Steven Watson para comentarmos sobre o Voador. Mason...
- Sim? – pergunta Mason.

- O cenário político atual está estável graças à Presidente Ford, mas você acha que essa estabilidade poderia ser arruinada?
- De forma alguma. – responde Mason com firmeza em sua voz – É verdade que muitos governantes estão cobrando ações para serem tomadas em relação ao Voador. Isso até inclusive foi discussão na última reunião da ONU e na reunião do G20, mas não. O Voador é uma incógnita, a não ser pelo fato de que foi um experimento criado por Hong Chan, mas caso venha a ser uma ameaça seria uma que uniria ainda mais as nações.
- E quanto ao Voador Azul e Vermelho? Surgiram fotos e no último mês e parece que há um vídeo dele na internet.
- Outra incógnita.
- E você Watson?
- Acredito que o Voador deva ser detido caso se torne uma ameaça – diz Watson – mas não há dúvida de que a Presidente Ford está usando toda essa questão do Voador desde que ele apareceu para desviar a atenção do que está acontecendo com o país. Estamos à beira de uma crise econômica e o desemprego está começando a aumentar. Ainda estamos tendo ocorrências de ataques terroristas de muçulmanos, os quais a Presidente está ignorando, mas que graças ao Voador tem diminuído.
- Graças a ele? – pergunta Mason.
- Ele está lutando contra o crime, tem impedido ações terroristas no país e em outras cidades pelo mundo.
- Mas de forma violenta.
- Não se enfrenta terroristas com canções de paz e amor.
- E fogo contra fogo não é a resposta. E é o que reforça o que venho dizendo de que o Voador não fará com que as nações se virem contra os Estados Unidos. Ele está apenas perseguindo criminosos, mas a forma como o faz é algo para se ficar atento, pois apesar de suas ações desde a luta em Tokyo, ele pode se virar contra nós.
Karen presta atenção ao que está os entrevistados estão discutindo e enquanto o faz, algumas das imagens que ela viu antes de destruir a Área 69 retornam à sua mente, e no meio disso surge um nome: Barry Granger. Ela se levanta, desliga a televisão e volta a se sentar no sofá. Barry Granger, esse é o nome que está rondando sua mente nesse momento. New Life, Voador, Barry Granger. Ela se pergunta se há uma conexão entre os três. Talvez tenha, e a única forma de ela saber é voltando para Nova York. Ela queria tanto sair de Nova York, mas por alguma razão sente que deve voltar para lá e que esse tal Barry Granger, seja ele quem for, está lá.
 Ela se levanta e sai da sala, caminhando até a porta, mas é impedida por um dos policiais que diz a ela que ela não deve sair. Ela diz que precisa sair. Ele a pega pelo braço esquerdo e a manda voltar para sala:
- Por favor, eu preciso sair.
- Você não pode sair.
- Eu disse que preciso sair!
Assim que ela grita, o policial é arremessado contra a parede. Ela escuta os passos do outro policial e da delegada e foge. Ela corre o mais rápido que pode, com o coração parecendo que vai rasgar seu peito. No meio de tanto nervosismo ela acaba voando, e logo depois cai no chão. Ela sente um pouco de dor e nota que o seu joelho esquerdo está com um corte. Ao olhar para trás ela nota a viatura indo atrás dela. Ela se levanta e volta a correr. Sentindo que a viatura está próxima dela, ela alça voo.
Tendo conseguido se distanciar o suficiente, ela olha para baixo e nota o quão acima do chão está. Ela olhe para o horizonte e prossegue voando em direção aonde podem estar todas as respostas para as suas perguntas. Ela está voltando para casa, ela está voltando para Nova York.
Em Washington, na Casa Branca, Ruth Renée Ford está dormindo em sua cama. O telefone toca, interrompendo seu sono. Ela atende. A ligação veio de um coronel, Coronel White, avisando que a Área 69 foi destruída e aparentemente Karen Witwer escapou. Ruth desliga o telefone, se veste e se dirige ao andar subterrâneo da Casa Branca. Lá ela se encontra com coronel que fez a ligação:
- Você, coronel! – diz ela apontando o dedo indicador direito pra ele – Explique-me detalhadamente o que aconteceu lá.
- Bem Srta. Presidente, tudo estava normal, porém houve uma irregularidade. Witwer conseguiu se libertar do invólucro e aparentemente destruiu tudo. Por enquanto não tivemos mais pistas sobre o paradeiro dela.
- Supostamente, você diz. Escute seu pedaço de farda inútil, seu merda, se ela escapou do invólucro pode ter certeza que ela está viva. Não irá demorar muito até conseguimos encontrá-la. Já avisaram o garoto?
- Não.
- Pois então avise.
Karen finalmente chega à cidade de Nova York. Ela anda pelas ruas e lembranças de seu passado surgem em sua mente. Ela caminha até o prédio em que morava e sobe as escadas, chegando à porta de seu apartamento. Ela tenta abrir a porta, mas está trancada. Ela continua tentando abrir, quase sacolejando a porta, até conseguir fazer a maçaneta se estilhaçar diante de seus dedos.
Ela entra no apartamento e vê que há pertences de outra pessoa. Ela arranca desesperadamente o colchão para ver se o dinheiro que ela deixou ainda está lá, mas não há nada lá. Ela grita de raiva, criando rachaduras no apartamento. Vozes são ouvidas e ela sai correndo de lá. De volta à rua e sem aonde ir, ela pensa desesperadamente em um lugar no qual possa passar a noite, e o único lugar que para ela resta é a casa de sua mãe, Marsha Witwer.
Vagando pelas ruas, Karen pensa se deve ou não ir até lá, porém opta por ir já que ela não tem muita opção. A casa onde a mãe de Karen vive fica no Bronx, o bairro mais violento de Nova York. Ainda há pessoas dando o sangue no trabalho para sobreviver e tentar garantir um futuro melhor para seus filhos, ainda há pessoas que são escorraçadas todos os dias, ainda há pessoas cujo prazer reside em atormentar aqueles que apenas buscam um pedaço de felicidade e ainda há aqueles que estão apenas apodrecendo. A mãe de Karen é o último caso.
Enquanto a jovem caminha, ela se lembra das surras que sua mãe lhe dava quando criança. Surras tão intensas, xingamentos de baixo escalão, como se estivesse acontecendo agora, como se ela ainda fosse aquela garota apanhando rezando para qualquer entidade divina existente poder salvá-la. Marsha é uma mulher que desde sempre foi irresponsável e egoísta. Karen nasceu da breve relação de Marsha com um empregado da máfia italiana. O homem havia prometido tirar Marsha daquela vida miserável, mas no fim o homem fugiu e deixou Marsha abandonada com um bebê para criar.
Karen cresceu em meio à pobreza e ao ódio imediato que sua mão sentia por ela. Havia dias em que se Marsha não surrava Karen, então a deixava passar fome. Um dia, e Karen e lembra bem desse dia, em 15 de abril de 2018, aos 15 anos, ela decidiu fugir de casa buscando algo melhor para viver. Qualquer coisa era melhor do que viver com a sua mãe, porém ela conheceu alguém que era tão ruim quanto sua mãe, um homem chamado de Big Gus, alto, negro, roubas berrantes, conhecido por ser o dono da Boate Foxx, uma boate de boa qualidade de fato, e também por fornecer drogas.
Ela recorreu a ele procurando trabalho, mas não sabia que o tipo de trabalho que Big Gus fornecia a garotas era o de prostituas. A jovem ainda se lembra de como Big Gus a olhou, um olhar perverso. Quando ele explicou o que seria o trabalho e ela concordou em fazê-lo, ele a havia agarrado e a jogado dentro de seu quarto, despindo suas roupas violentamente e forçando o pênis na vagina dela. Tendo sido feita a “iniciação”, Karen passou se prostituiu para os clientes de Big Gus, bem como a se prostituir para clientes aleatórios. Relembrar da noite que Big Gus a estuprou a faz sentir como se uma faca rasgasse sua pele lentamente.
Depois de reviver os momentos e segurar o choro, Karen finalmente retorna à sua antiga casa. Ainda do jeito que lembra: caindo aos pedaços. Ela toca na maçaneta suja e abre a porta. O cheiro da casa continua igual: puro mofo. Ela caminha e vê uma mulher decrépita respirando com a ajuda de tanque de oxigênio. Karen se aproxima e vê que aquela mulher é sua mãe. Ela sente um pouco de satisfação e ao mesmo tempo pena por ver aonde sua mãe chegou. Marsha se vira e vê a garota em pé ali ao seu lado:
- Quem é você? – pergunta Marsha com uma voz fraca.
- Sou eu.
Os olhos de Marsha se arregalam:
- Karen! – ela tosse após exclamar o nome da filha.
- O que aconteceu com você?
- Estou com câncer.
- Mas por que você não buscou tratamento?
- Pra que? Pra continuar a ter uma vida vazia de merda? Não consegui nada.
- Você teve a mim.
- Você? Você veio de uma mentira. Seu pai tinha me prometido dar uma vida digna, mas foi só gozar dentro de mim e ele se mandou. E o Big Gus?
- Eu não sei. Faz um tempo que não o vejo.
- Sim. Ele veio me procurar quando você desapareceu. Onde esteve?
- Longe daqui.
- Por que voltou?
- Eu não sei. – diz ela não querendo revelar que está em Nova York para procurar por alguém chamado Barry Granger – Eu tenho que encontrar alguém, e como não tenho onde passar a noite eu pensei que poderia...
- Para que? Talvez eu morra hoje, e o último rosto que irei ver é o seu. – diz ela rindo e tossindo ao mesmo tempo – Mas que merda.
- Eu não queria vir para cá! – grita ela – Tudo o que você fez comigo, ficou martelando na minha cabeça, e ainda martela, e dói. – diz ela enquanto uma lágrima escorre de seu olho direito.
- Está chateada? Como eu pude parir uma bosta fodida que nem você? Você foge finalmente me deixando em paz, e agora decide voltar. Pode sair daqui. Saia sua putinha de merda!
Karen apenas fica em silêncio, tentando conter as lágrimas, enquanto olha com ódio para sua mãe desejando que ela morra. De repente, o corpo de Marsha começa a se retorcer. Ela tenta gritar, mas não tem fôlego pra isso. A mulher moribunda sente seus ossos quebrando aos poucos, uma sensação agonizante que ela não tem forças para expressar, sofrendo em silêncio. E então o sofrimento vai embora, restando apenas o silêncio e lágrimas escorrendo pelo rosto de Karen, até que ela se dá conta do que aconteceu e grita de desespero.

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