Translate

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 3: Jantar

Os gritos, todo o calor, todo o caos desaparece. Uma escuridão pacífica toma conta. Batidas na porta são ouvidas.  Alguém está chamando Kyle, e ele finalmente acorda. Ele tenta se lembrar do que houve, de como retornou para o castelo, mas está tudo em branco. Apenas alguns flashes aparecem em sua mente. Seu corpo não carrega nenhum hematoma, como se ele nem tivesse sido surrado. Ele se levanta e abre a porta. É Carrie, mandando ele se arrumar e realizar as tarefas do dia.
As tarefas do dia são realizadas. Kyle caminha pela sala e se depara com um jornal cuja manchete é a repentina explosão no bar em que Kyle esteve na noite passada e de que houve um sobrevivente do ocorrido. Flashes do que aconteceu ressurgem, mas ainda não são suficientes para formar o quebra cabeça por completo, como ele sobreviveu à explosão e como ele retornou.
À noite, uma limusine vem buscar Celiny e seus pais e os leva para o hotel onde a família real da Irlanda está hospedada. No trajeto, ela pensa no ataque que sofreu e no quanto não quer estar nesse jantar. Eles chegam, sendo fotografados pelos paparazzi ao saírem da limusine, e são conduzidos até a sala de jantar do hotel. Ela olha para todos ali sorridente, mas no fundo ela quer sair correndo. Ela cumprimenta cada um, escondendo o desconforto através da cortesia e sorrisos. Eles conversam com ela e expressam preocupação com o bem-estar dela, especialmente devido ao que aconteceu.
Enquanto o jantar está ocorrendo, Kyle se dirige para a casa de Ben. Ele bate na porta repetidamente:
- Já vai! – grita Ben de dentro da casa. Ele logo abre a porta:
- Kyle?! Você tá vivo!
- Isso é bom, não é?
- Vem cá, entra logo! – grita Ben, entusiasmado.
- Quem está aí, amor? – grita uma voz feminina enquanto Ben traz Kyle para dentro.
- É o meu amigo, o Kyle.
- Calista, a sua namorada?
- Sim! – diz ele sorridente – Mas por favor Kyle, não diga a ela que eu te dei o paradeiro dos Foices Vermelhas. Se ela souber – enquanto ele diz isso, ele está de costas para Calista que acabou de caminhar até eles – que eu contei pra você onde achar os Foices Vermelhas ela me mata.
- Ô, Ben? – diz Kyle olhando para Calista.
- O que?
- Como assim você deu a ele o paradeiro dos Foices Vermelhas?! – grita ela.
- Por que não me disse que ela estava atrás de mim?
- Eu tentei. Desculpe – ele estende a mão para cumprimentá-la – eu sou...
- Eu sei, você é o cara que trabalha com a realeza. Deve levar uma vida mansa ao contrário de nós plebeus.
- Não, minha vida é bem simples.
- Então, vocês vão me contar o que vocês queriam com os Foices Vermelhas?
- Eu pedi para o Ben me ajudar a fornecer a localização.
- Por quê?

- Um deles atacou a Grande Princesa e matou o chofer dela. O chofer dela era um homem que eu conhecia.

- Ah... – diz Calista se sentindo constrangida por ter debochado de Kyle – Mas por que, digo...
- Eles tinham que pagar.
- Espera aí... – diz Ben – Você causou o incêndio?
- Eu não sei.
No hotel, Celiny vai para a sacada após pedir para se retirar para tomar um ar. O príncipe da Irlanda decide acompanhá-la, mesmo ela dizendo que não precisa, mas ele insiste:
- Está se sentindo bem? – pergunta ele de chegarem à sacada.
- Estou sim, obrigada.
- Que bom. Até porque você está deslumbrante.
- Obrigada. – ela sorri ao agradecer, mas ela está apenas forçando o sorriso.
- Quer algo mais para beber?
- Eu aprecio a sua gentileza, mas estou ótima, obrigada.
- Apenas preocupado com você. Vamos ser marido e mulher em alguns meses.
- Sim, iremos.
- Me desculpe se eu estiver sendo inconveniente, é que eu fiquei tão empolgado por finalmente conhecer você, e... Bem, acho que não estou sendo agradável.
- Está tudo bem, Declan. É que eu só não estou me sentindo bem.
- Sei como é difícil.
- Difícil o que?
- As pessoas esperam que sejamos iguais os nossos pais, que estejamos prontos para governar não só um país, mas possivelmente um continente inteiro. É muito peso para se carregar.
- Isso é verdade. Já quis algo mais? Algo que não tivesse a ver com a realeza, mas ter o controle sobre sua própria vida?
- Sim, às vezes penso nisso. Mas assumir a responsabilidade que teremos é algo que quero. É algo pelo qual me preparei a vida inteira.
- Eu não posso dizer o mesmo.
- Por quê?
- Que tipo de vida se pode chamar de vida se você não tem controle sobre ela? Eu me sinto como se fosse uma marionete com todos puxando as minhas cordas, querendo decidir o meu destino quando quem deveria fazer isso sou eu.
- Eu entendo.
- Acho que não! – grita ela.
- Me desculpe. Eu... Eu vou voltar para a mesa. Vejo você lá.
Assim que o príncipe da Irlanda a deixa sozinha, ela dá graças a Deus por ele finalmente ter saído, e pensa no quanto queria estar com Kyle ao invés de estar neste jantar.
De volta à casa de Ben, Kyle termina de contar para ele e para Calista o que aconteceu na noite passada:
- Bem, isso é... Isso é... Não sei, confuso? – pergunta Ben.
- É uma forma de ver isso. – diz Kyle.
- Isso é ruim. – diz Calista.
- Ruim por que? – pergunta Kyle.
- Eles virão fazer perguntas, irão querer saber quem informou o paradeiro deles. Saberão que foi você, Ben.
- Qual é, não vão querer me conectar com o que houve.
- Você sabe muito bem que eles têm olhos em todos os lugares. Você nos condenou Kyle.
- Não há como eles saberem que fui eu. Eu não saio do castelo com frequência, a não ser para emergências.
- Então reze para estar certo. Deveríamos sair daqui hoje.
- Meu amor, fica calma. Não vai acontecer nada.
Muito longe dali, uma reunião organizada pelas Foices Vermelhas está ocorrendo em um local secreto. Eles se reúnem para discutir sobre o ataque causado por Kyle na noite anterior. Eles se reúnem em cadeiras que juntas formam um círculo, e no centro do círculo está o trono do líder: Edward Garrison. Assim que todos se sentam, a reunião começa. Um deles diz o que houve e sobre o sobrevivente:
- Ele disse que um rapaz alto, magro, branco, de cabelos castanhos e ondulados veio perguntando quem atacou a princesa. Nossos companheiros o atacaram, atearam fogo, mas de acordo com o nosso companheiro, o rapaz se transformou em uma criatura demoníaca.
- Apenas isso? – pergunta Edward.
- Sim, vosso líder.
- Com licença. – diz um dos membros – Havia dois rapazes perguntando sobre o bar. Um deles era Ben o açougueiro. Ele estava acompanhado de outro rapaz.
- E você acredita que esse rapaz é quem atacou nossos companheiros.
- Sim, vosso líder.
- Eu acho que conheço o rapaz. – diz outro, um espião das Foices Vermelhas tem trabalhado como empregado no castelo nos últimos três anos – O nome dele é Kyle.
- O que sabe sobre esse Kyle? – pergunta Edward.
- Ele foi encontrado por Aidan quando era uma criança. Os pais foram mortos ou algo assim, e ele é bem próximo de Celiny e tem amizade com Ben.
- Por um acaso você já viu alguma evidência que possa provar que ele seja um Filho do Anjo Caído?
- Honestamente, nunca. Ele sempre foi um rapaz reservado, mas a descrição que o nosso companheiro deu confere com a dele e ele é bem próximo da princesa.
- Entendo. Façamos o seguinte: conversem imediatamente com este Ben, e se ele confirmar que o responsável é este tal Kyle, nós daremos um jeito de deixar esta situação a nosso favor. Afinal, temos meios para lidar com os Filhos do Anjo Caído. A reunião está encerrada.
Três membros invadem a casa de Ben. Eles agridem brutalmente ele e Calista, e começam a torturá-lo, arrancando todas suas unhas e seu olho esquerdo. Quando eles ameaçam matar Calista Ben confirma que que quem estava com ele era Kyle. Eles esquartejam Ben vivo, com Calista assistindo. Após ele morrer, eles recolhem o corpo e os demais pedaços.

Nenhum comentário:

Postar um comentário