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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 4: Amor consumado


No dia seguinte, Kyle está aparando os arbustos e Celiny vem falar com ele:
- Oi. – diz ela.
- Oi. Você está bem?
- Bem... Estou viva. – diz ela rindo.
- É bom ver você sorrindo.
- Não gosto de me sentir triste, então apenas rio, mesmo quando o que eu queria era chorar. Eu senti isso ontem no jantar.
- Foi tão ruim assim?
- A família real irlandesa é bem cordial, mas eu não quero ter que passar a minha vida com alguém que eu não ame.
- Mas como o príncipe é? Ele foi respeitoso com você ou...?
- Não, ele foi respeitoso comigo. Disse que entendia a pressão que estou sentindo.
- Então ao menos ele é compreensivo.
- Sim, mas... – ela acaricia o rosto dele – Não é ele quem eu amo.
Kyle sente seu coração acelerar. Eles se aproximam um do outro e ele a agarra aproxima seus lábios do dela, mas hesita. Ele sabe que não pode fazer isso, sabe que não pode tê-la. Ela percebe a hesitação dele e joga os seus lábios nos lábios dele. Ele fica estático no início, mas aos poucos a agarra e retribui o beijo. Ele sabe que não pode tê-la e ela sabe que não pode tê-lo, mas eles já têm o coração um do outro.
O casal é interrompido pela Grande Rainha. Ela grita com Celiny e a manda se retirar:
- Como você ousa? – pergunta ela a Kyle.
- Perdoe-me, Grande Rainha.
- Ela irá se casar com o príncipe da Irlanda.
- Eu sei, e peço perdão pela minha transgressão.
- Escute, nós o acolhemos e você sempre foi um bom rapaz. Temos muita consideração por você, mas se isso se repetir você será expulso. Compreendeu?
- Sim, senhora.
À noite, depois de encerrar seus afazeres, Kyle vai para o seu quarto. O beijo de Celiny está como uma filmagem que passa repetidamente em sua mente. Ele quer beijá-la de novo, quer senti-la de novo. Ao se sentar na cama, Celiny sai de baixo das cobertas, totalmente nua:
- Celiny, o que você está fazendo? – pergunta Kyle desesperado.
- Perdi minhas roupas enquanto estava vindo para cá.
- Pelo amor de Deus, se vista e saia.
- Muitos homens ficariam felizes em ter uma mulher nua na cama deles.
- Mas não um criado que foi visto beijando uma princesa que está para se casar com um príncipe.
- O que a minha mãe disse para você?
- Que me expulsaria se nos visse se beijando de novo. Se ela vir você nua no meu quarto, vão querer cortar minha cabeça.
- Não estamos na França. – diz ela rindo.
- Celiny, por favor! Você não pode ficar aqui.
- Eu não me importo. – ela se aproxima dele – Você sente o mesmo que eu.
- Celiny... – ele tenta falar, mas seu coração está tão acelerado que ele não consegue se concentrar.
- Você sente o mesmo, eu sei disso.
Ela pega a mão direita dele e coloca no meio dos seus seios, fazendo Kyle sentir seus batimentos:
- Está batendo por você. – diz ela.
Ela começa a desabotoar a camisa dele, ambos estão ofegantes. Ela coloca gentilmente a mão esquerda dela no peito dele, e sente os batimentos dele:
- E eu sei que ele está batendo por mim.
- Nós não podemos.
- Então diga que não me ama.
- Eu... Ah, maldição... Eu amo você desde a primeira vez que a vi. – ele acaricia o rosto dela.
- Por que nunca me disse?
- Eu não achei que seria certo.

- Bem... – ela aproxima os lábios do ouvido esquerdo dele – Não vamos perder mais tempo.
Ela tira a camisa dele e desabotoa a calça. Ele termina de tirar a calça e tira os sapatos, ficando completamente nu. Ela o faz se deitar na cama e fica por cima dele e o beija apaixonadamente, como se não o visse há décadas. Os batimentos de ambos aumentam. Eles se amam e estão demonstrando esse amor de uma forma íntima realizando uma experiência totalmente nova para eles. Os medos que ambos sentem não estão presentes, é uma lembrança distante, praticamente excluída.
Uma hora depois eles estão agarrados um ao outro, trêmulos, mas felizes:
- Acho que agora eu vou para a guilhotina. – diz ele rindo.
- Não estamos na França
- Mas eu definitivamente vou perder a minha cabeça.
- Será que podemos parar de pensar nas desvantagens só um pouco? Eu te amo e é isso que importa.
- Eu sei.
Eles passam a noite juntos. A manhã chega. Kyle acorda e vê que está sozinho, mas mesmo que tenha acordado sozinho ele nunca acordou tão bem em toda sua vida. Ele toma um banho, se arruma, realiza os afazeres da manhã e caminha pela floresta. Ele relembra o momento que passou com Celiny na noite passada, mas pensa sobre o que pode acontecer se caso eles fossem descobertos.
Ele é interrompido de prosseguir mergulhado em seus pensamentos quando alguém o puxa para dentro dos arbustos:
- Celiny! Você quase me matou de susto.
- Foi engraçado.
- Não se alguém nos vir.
- Ninguém vai nos ver. Fique calmo.
- Eu não estou conseguindo ficar calmo.
- Por quê?
- Porque o que fizemos, o que estamos fazendo, é arriscado.
- Mas você não pensou nisso quando fizemos amor.
- Porque foi a primeira vez que tudo pareceu bem. E por mais que eu te ame, a gente...
- Para! Nós podemos sim ficar juntos. Vamos fugir hoje à noite.
- O que?
- Vamos fugir hoje à noite. Eu conheço alguns lugares para os quais nós podemos ir, e com as joias que eu tenho podemos obter um bom dinheiro se as vendermos.
- Essa ideia de novo.
- Kyle, é a nossa única chance de sermos felizes. Ou você não quer ficar comigo?
- A única coisa que eu quero nesse mundo é ficar com você, para sempre. Mas tem os seus pais, o seu casamento. Tem várias coisas contra nós.
- Eu já disse que não me importo. Hoje nós vamos tomar conta de nossas vidas e sermos felizes. Nada vai nos impedir.
- Como você pode ter tanta certeza?
-Procuro ser otimista. Deveria tentar.
Momentos como esse faz Kyle lembrar-se do porque ele ama tanto Celiny. Quando as lembranças do passado o deixam acorrentado, ela é quem o liberta, ela é quem o tira de uma escuridão tenebrosa e o leva até uma manhã brilhante. Olhando nos olhos dela, ele não tem mais temores. Pelo contrário, agora sim ele acredita que o amor deles pode viver livremente:
- Posso te dizer algo?
- O que?
- Eu finalmente estou feliz.
- Então me deixe continuar fazendo você feliz, para sempre.
- Como a gente vai fazer?
- À meia noite eu encontro você no seu quarto, de lá nós vamos sair pelas passagens secretas. Entramos em um dos carros e saímos do castelo. Podemos pegar um navio e aí...
- Para onde exatamente você quer ir?
- Eu pensei em Toscana.
- Podíamos mudar nossas identidades.
- Não é um pouco extremo?
- Eu tenho certeza que os Grandes Rei e Rainha da Europa mandarão seus guardas e mandarão os demais reinos da Europa procurar pela Grande Princesa.
- E se fôssemos para outro continente. Ásia, talvez?
 - Pode ser, mas se alguém perceber que você está lá, e vamos admitir você não é do tipo que é impossível de chamar a atenção, podemos arriscar uma guerra entre os Grandes Reinos.
- Não seria para tanto.
- Seria sim, por isso que sugeri de mudar as nossas identidades.
- Vamos primeiro sair daqui do castelo e depois nós resolvemos qual será o próximo, está bem?
- Está bem.
- Vai dar certo, eu sei disso.
Eles se beijam e saem dos arbustos. Porém eles não sabem que o espião das Foices Vermelhas estava ali perto. Ele seguiu Kyle e ficou bem perto de onde ele e Celiny estavam e ouviu todo o plano deles. Ele imediatamente vai para a Sala Real informar ao Grande Rei a Grande Rainha sobre o plano deles:
- Tem certeza disso? – pergunta o Grande Rei.
- Sim, meu Grande Rei.
- Eu não acredito! – grita a Grande Rainha – Aquele insolente, como ele...? Eu os vi se beijando! Deveria ter previsto isso.
- E nós iremos acabar com esse problema, hoje à noite. Obrigado por nos ter informado.
- Apenas cumprindo meu dever, Grande Rei.
O espião se retira da sala, e a Grande Rainha o observa enquanto ele vai embora:
- Meu amor, você já o viu antes?
- Vi quem?
- Este guarda que nos informou sobre Celiny.
- Sim, o que tem ele?
- Ele não me parece familiar.
- Temos vários guardas reais no castelo, é impossível memorizar o rosto de todos eles.
- Fale por si mesmo, eu consigo.
- Duvido.
- Estou falando sério, e eu nunca vi este homem antes.
- Deixe o guarda para lá, temos que nos preocupar com nossa filha.
À noite, Celiny sai do seu quarto com a mala pronta e caminha até o quarto de Kyle. Ela bate na porta e ele a abre:
- Está pronto? – pergunta ela eufórica.
- Estou. – diz ele pegando a mão dela.
Eles caminham até o lado de fora do castelo, rumo a uma das passagens secretas. Celiny possui a chave para essa passagem, chave esta que foi dada a ela para o caso de haver alguma invasão no castelo. Ao inserir a chave no cadeado, o Grande Rei e Rainha chegam com os guardas. O coração de ambos acelera, seus sonhos estão perdidos:
- Venha agora Celiny! – grita o Grande Rei.
Ela olha para Kyle e caminha devagar com lágrima nos olhos até onde os seus pais estão:
- E você... – diz o Grande Rei para Kyle – Nós o abrigamos você e é desta forma que nos paga.
- Nós nos amamos.
- Você será punido por isso Kyle. Guardas prendam-no.
Enquanto os guardas caminham até Kyle, o espião corre até ele e joga ácido no lado esquerdo de sua face. Kyle grita de dor. Os guardas agarram o espião e Celiny corre o seu amado:
- Ah meu Deus, Kyle! Você está bem?
Quando ele ergue o rosto e a olha ela se assusta e se afasta dele. Todos ali ficam assustados:
- Não pode ser! – diz o Grande Rei.
- Ele é um deles. – diz a Grande Rainha – Celiny venha para cá, rápido!
Ela corre para o lado de sua mãe, não deixando que Kyle a toque. O rapaz fica sem entender o que está havendo:
- Minha filha ele a enfeitiçou?
Celiny olha para Kyle, para a parte do rosto afetada pelo ácido que revelou um meio rosto demoníaco. Trêmula de medo, ela acena que sim com a cabeça:
- Celiny, o que você está fazendo? – pergunta Kyle desesperado.
- Mate-o! – ordena o Grande Rei.
Um dos guardas enfia sua espada no abdômen de Kyle. Enquanto ele grita de dor, Celiny sai correndo apavorada. Ela corre desesperada, sem olhar para trás, apenas ouvindo Kyle chamar por ela. Outro guarda se aproxima carregando a espada e pretendendo usá-la para cortar a cabeça de Kyle.
O guarda ergue a espada e Kyle acaba se transformando em uma criatura demoníaca com asas. O Grande Rei ordena novamente para os guardas matá-lo enquanto foge com a Grande Rainha, mas nenhum deles consegue atacar Kyle. Ele agarra o braço de um dos guardas e o arranca. Os outros guardas se assustam com o que aconteceu e ele começa a correr.
Ele alcança o muro e começa a escalá-lo. Chegando ao topo ele salta e começa voar. Ele sobrevoa a cidade, com a brisa gelada batendo em seu rosto, e vai para uma floresta longe de Londres. Ele pousa e se recosta numa árvore, pensando sobre o que acabou de acontecer, mas principalmente pensando em Celiny tê-lo abandonado. Ele olha para as mãos dele e depois para o corpo todo. A pele é um vermelho sangue, no lugar das unhas há garras, sem contar as asas.
Há um lago perto dali. Ele caminha até o lago e olha o seu reflexo, assustando-se com seu próprio rosto:
- O que aconteceu comigo?
Sua voz também está alterada. Ele começa a chorar de desespero. Ele virou um monstro, quase foi morto e foi abandonado por sua amada. Seu mundo se estilhaçou. Em meio ao pranto, ele retorna à sua forma humana e um portal se abre perto dele. De lá surge o homem que o salvou vinte anos atrás, ainda com a mesma aparência daquele período:
- Você...
- Olá Kyle. – ele estende a mão direita – Está na hora de sairmos daqui.

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