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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Os Filhos do Anjo Caído - Capítulo 7: O Grande Cassino Chinês

Após se arrumar, Kyle retorna para o lado de fora da casa de Darwin. Ele abre um portal e eles chegam a Hong Kong, em uma parte isolada da cidade a fim de não chamarem atenção:
- Como você faz isso? Abrir um portal que leva você de um lugar a outro.
- Você tem que pensar muito em um lugar que você quer ir, e imaginar que há uma porta à sua frente que irá te levar para esse lugar. Mas você tem que saber que lugar é esse, tem que conhecer o lugar antes de ir.
- Para não ir parar em lugar inóspito.
- Exatamente. Soube de um de nossos familiares que foi usar o portal sem saber o local e foi parar em uma tribo para canibais.
- Uau.
De onde eles estão demora apenas uns vinte minutos para chegar ao Grande Cassino Chinês. Darwin havia dito a Morris que já ouvira falar desse lugar, mas na verdade ele frequentou o estabelecimento cinquenta anos atrás. Ele havia gastado muito dinheiro apostando e teve um sério desentendimento com um dos funcionários, e ele encerrou a discussão enterrando-o vivo no asfalto.
Retornar depois de todo esse tempo o faz se sentir levemente nostálgico, mas o que o interessa é o dinheiro que o tal Sr. Wen está disposto a pagar.
O Grande Cassino Chinês é enorme, majestoso, com duas pilastras pintadas de vermelho e dragões de ouro encrustados em volta delas. Por dentro é como um cassino de Las Vegas, mas obviamente com um toque chinês.
Darwin vai até o balcão de recepção e pede à recepcionista que avise ao Sr. Zhang que ele chegou e o está aguardando. Alguns minutos depois três seguranças caminham até Darwin e Kyle e os escoltam em direção ao elevador, que sobe 15 andares. As portas se abrem quando eles chegam ao quarto andar. Os seguranças os escoltam até à sala do Sr. Zhang.
Sr. Zhang é um homem que aparenta ter mais de 40 anos. Comprou o estabelecimento cinco anos atrás. Suas vestes são vestes tradicionais. Ele está sentado à mesa fumando um cigarro e sua expressão é vazia, tediosa:
- Quem de vocês é o Darwin? – pergunta ele falando com sotaque e com uma voz monótona.
- Eu. – responde Darwin.
- E ele? – pergunta Wen apontando para Kyle.
- Meu aprendiz.
- Não vou aumentar o pagamento.
- Eu consideraria.
- E por que eu faria isso?
- O senhor sabe quem eu sou para querer os meus serviços, certo?
- Claro que sei.
- Então já é razão suficiente para fazer o que eu mandar que você faça.
- Você é apenas uma mão de obra. Se continuar falando assim comigo na frente dos meus homens, eu mando matar vocês dois aqui e agora.
- Eu não recomendaria isso. Alguém pode acabar morto.
- Sr. Darwin, alguém como eu não chega aonde chegou sem que os outros mostrassem respeito. E para que os outros tenham respeito por você, é necessário ser o que alguns consideram, como posso dizer... consideram ser hostil. Atirem neles agora.
Os seguranças pegam suas armas e, estendendo os braços na altura de suas cabeças, apontam para as cabeças de Darwin e Kyle. O rapaz se desespera e pede para Darwin tirá-los de lá. Ao puxarem o gatilho a bala fica presa. O cano das armas se retrai e cresce no lado oposto da arma, liberando as balar que perfuram a cabeça deles:
- O que aconteceu? – pergunta demonstrando pavor em sua voz.
- Apenas demonstrando o que posso fazer. Agradeça-me por não ter matado você.
A expressão de Zhang muda, tornando-se séria. Ele muda sua postura e apaga o cigarro no cinzeiro. Isso é um ótimo sinal para Darwin, pois indica que ele o está levando a sério, embora ele ainda se pergunte por que Zhang lhe tratou como um idiota qualquer mesmo tendo conhecimento de sua ascendência peculiar:
- Agora vamos começar de novo, Sr. Zhang. Morris me informou que o senhor quer os meus serviços para recuperar uma carga que um grupo de piratas, com quem o senhor tem negócios provavelmente, perdeu. Poderia contar a mim e a meu aprendiz mais a respeito?
- Sim. – diz Zhang com medo visível em sua voz trêmula – Tenho negócios com piratas locais e, mensalmente, eles me dão alguma mercadoria de valor para que eu compre deles.
- A qual eles adquiriram de modo nenhum pouco nobre.
- Isso, não lhe...
- Controle suas palavras, Sr. Zhang. Não quer se aposentar como os seus funcionários, quer?
Kyle está fazendo o máximo possível para manter uma expressão neutra, mas está se divertindo com a forma como Darwin está controlando o Sr. Zhang, obrigando-o a se comportar da forma como ele quer:
- São piratas. – responde Sr. Zhang – É claro que eles não obtiveram a mercadoria de forma nobre.
- O que é essa mercadoria?
- Um carregamento de pedras de jade.
- Ah, entendo agora por que você as quer de volta. Morris disse que essa mercadoria foi perdida perto da Cidade Draconiana.
- Cidade Draconiana? – pergunta Kyle espantado.
- Sim. – responde Zhang – O navio foi atacado pelos híbridos. Apenas dois conseguiram escapar com vida, mas um deles voltou mutilado.
- Me perdoem a intromissão. – diz Kyle – Mas se a Cidade Draconiana é tão perigosa, por que você quer as pedras de jade de volta?
- Porque elas são raríssimas hoje em dia. – diz Zhang esboçando um leve sorriso – Muitos venderiam até suas propriedades para tê-las. Um homem de negócios como eu não poderia perder a oportunidade de tê-las.
- E você está disposto a pagar quanto? – pergunta Darwin.
- 500.000.
- 500.000? – pergunta Darwin rindo – Quando Morris me disse que o pagamento era alto eu pensei que realmente fosse alto.
- É alto.
- Não para mim. 500.000 para pegar recuperar uma mercadoria na Cidade Draconiana é bem pouco para mim, Sr. Zhang.
- Quanto quer então?
- 10 vezes mais.
- 5.000.000? – pergunta Zhang furioso – Você enlouqueceu?
- Pergunte aos seus funcionários ali no chão. Eles devem estar refletindo nisso.
- 700.000.
- 5.000.000.
- 800.000.
- 5.000.000. Não quero menos que isso.
- Já disse que não vou...
- O senhor pode procurar outra pessoa para o serviço, ou então, se continuar com sua grosseria desnecessária, Sr. Zhang, pode tentar brincar com os seus funcionários ali no chão. Tenho certeza de que eles estão felizes por estarem com a cabeça mais vazia, sem sentir o peso do mundo nas costas. Deixe-me perguntar a eles. – ele se vira e olha para os seguranças mortos – Vocês estão sossegados? Sério? Que bom! É ótimo ouvir isso. – ele volta a olhar para Zhang – Talvez queira sentir essa sensação.
- Não, Sr. Darwin. – diz Zhang olhando para os corpos de seus seguranças – Eu pagarei os 5.000.000.
- Agora.
- Mas o senhor ainda nem está com a mercadoria em mãos.
- Gosto de me garantir. Quero o dinheiro agora.
Zhang se levanta e abre o cofre, localizado à sua direita, atrás de um quadro cuja pintura é de uma mulher em um riacho. Ele pega a quantia e a guarda em uma pasta preta, entregando-a em seguida para Darwin:
- Espero que realize o serviço direito, Sr. Darwin.
- Eu sempre cumpro os meus serviços, Sr. Zhang.
- Ótimo. – diz ele se sentando em sua cadeira – Eu preparei uma embarcação para vocês. É uma nova tripulação de piratas, são jovens. Eles estarão esperando vocês amanhã, no porto de Hong Kong, para os levaram ao local onde os híbridos roubaram a minha mercadoria.
- Provavelmente eles não sabem que podem morrer. – diz Kyle.
- O anseio pelo dinheiro é maior. – diz Zhang.
- Bem, acho que nossa reunião está encerrada. Muito bom fazer negócios com você, Sr. Zhang. – Darwin se levanta, pega a pasta e abre um portal – Hora de irmos, Kyle.

- Isso está se tornando uma loucura. Eu devia ter deixado eles me matarem.
- Você é meio mau agradecido, não é?
- Escute Darwin, obrigado por ter me ajudado, mas eu não saí de uma panela de pressão para entrar em outra. Eu descobri há algumas horas que sou descendente de Lúcifer e agora descobri que iremos para um lugar onde vivem os draconianos. Eu quero melhorar minha vida, não a arruinar mais ainda.
- Hum... Vejamos, nasci em 1901, então tenho... 127 anos. Você está com 25, certo?
- Sim.
- Já fui idiota na sua idade. Acho que quase todos os jovens costumam ser idiotas.
- Eu não sou idiota.
- Sim, você é. Você quer ter acesso a coisa mais poderosa que existe. Acha que vai ser de graça?
À noite, no que é por enquanto o seu quarto, Kyle imagina como deve ser a Cidade Draconiana. Ele tinha certa noção devido ao livro que Celiny tinha. E novamente Celiny vem a sua mente. Por mais que tente não consegue tirá-la de sua mente, pois ela vive em seu coração.
Ele se levanta, pensando no que Darwin falou sobre como abrir um portal que o leve para outro lugar. Ele fecha os olhos e pensa no quarto de Celiny, imagina que há uma porta diante dele e imagina tocar essa porta. Funcionou! Ele consegue abrir um portal e vê Celiny deitada na cama dela. Ela se vira, quase como se tivesse sentido sua chegada, e o vê.
O coração de Kyle acelera. Ele não esperava que ela acordasse. Ela levanta e corre até ele, mas antes que ela possa tocá-lo, abraçá-lo, ele fecha o portal. Ele ainda a ama, mas a raiva que ele sente por ela tê-lo abandonado é maior.

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